Crônicas de um país sem sobrenome

Os Intocáveis

Sei que a notícia não é recente, e também não foi uma grande novidade ou surpresa quando veiculada, mas causou grande polêmica entre as diversas camadas da sociedade brasileira, mesmo aos alheios ao funcionamento do Estado, do governo e da própria política. Ouso afirmar que esses alheios dedicaram seus votos ao protesto (ou à identificação com seus artistas) no início de outubro do ano passado.

Com os artistas representando o povo na Câmara dos Deputados (mesmo sem grandes poderes, mas gozando de todos os benefícios e privilégios de um parlamentar) e ter uma mulher na posse do cargo mais importante do poder executivo, fato que foi diversas vezes mais enfatizado do que o próprio posicionamento político e administrativo da governante, os corações da população ficaram inebriados pela ideia de alternância do legislativo, cravejado de escândalos e denúncias administrativas durante os últimos anos, e continuidade do executivo, um governo eloquente e carismático, marcado por um presidente falastrão e muitas vezes falacioso em seus discursos acalorados.

Entretanto a dupla ilusão durou pouco tempo. Dilma tem se mostrado um tanto diferente de seu antecessor, como foi dito em algumas crônicas políticas “trocamos o barulho de Lula pelo silêncio de Dilma.” Ainda é muito cedo para fazer especulações, mas acredito que as diferenças poderão ir além da dicotomia barulho-silêncio, penso que será uma gestão mais cautelosa acerca da economia e das relações internacionais, enfim, um assunto que poderá ser tratado melhor em outra hora. A segunda desilusão, obviamente, foi em relação ao poder legislativo. Nem mesmo os artistas foram capazes de alterar um poder corrompido e degradado (oh, jura?).

O alto-escalão da Câmara e do Senado continua nas mesmas mãos, os verdadeiros poderosos não foram alterados. Pelos próximos dois anos Marco Maia, empossado após a renúncia de Michel Temer para concorrer à vice presidência, continua presidindo a Câmara Federal. No Senado Federal a situação mexeu com os brios da população, que correu pra internet pra xingar muito no twitter, até virar trending topic (resolveu muito, não?). Sinal  de descaso com a opinião pública, José Sarney assumiu, pela quarta vez, sua presidência. Caros leitores, o poder permanece sob os bigodes e sob as trêmulas mãos de um quase-despótico absoluto.

Contudo, essa continuidade já era prevista, visto que a base governista é maioria no Congresso Nacional. Seja por maior mobilidade política ou em defesa dos interesses próprios, nós é que sofremos as consequências de nossas escolhas. Optamos por dar a segunda e a quarta chance aos nobres, mas suspeito que não haverá grandes melhorias, apenas suspeito.

Bem, melhor mesmo aproveitarmos o sol amarelo, a areia fervente, a água salgada e a cerveja gelada para entrarmos no clima carnavalesco, porque isso é o que importa, o resto a gente dá um jeitinho.

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Comentários em: "Os Intocáveis" (1)

  1. Aquela charge do Sarney não poderia ser melhor. Uma foto dele chorando durante a posse com a espécie de jacaré açú que ele talvez não estivesse tão a altura. bjim

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