Crônicas de um país sem sobrenome

Eles: os reis do Brasil

Você não os conhece. Eles, no entanto, te conhecem muito bem, acredite. Eles sabem o que você pensa, sente, enxerga. Eles te resumem a um conjunto de equações simplificadas – e são muito eficientes nisso. Acredite, caro amigo: eles vão dominar o mundo.

Eles: os publicitários. Profissionais formados pelas mais altas faculdades e universidades brasileiras com a habilidade, arduamente estudada, de fazer você engolir qualquer opinião. Repetindo: QUALQUER opinião. Basta uma pequena mudança aqui e acolá de seu produto à venda (pode ser biscoito, cerveja, jogador de futebol – político), pra deixar mais com a cara do “público-alvo”, e bingo! Produto vendido. Basta um ou outro ajuste (leia-se entrevista no Fantástico) para quebrar uma imagem negativa criada bruscamente por alguma cagada homérica de seu produto.

E é assim que o público vê uma menina eternamente virgem tentar virar uma devassa do dia pra noite (você até achou estranho, mas nunca mais deixou de associar o rótulo da marca à imagem da menina purinha que, obviamente, todos querem comer); o Governo Obama sair completamente ileso (e aplaudido) após matar UM ÚNICO cara dentre tantos americanos mortos no Oriente Médio; o Brasil todo aplaudir de pé a despedida de um cara que, no final da carreira, tinha como única tarefa emagrecer (e não conseguiu) e fazer todos esquecerem seus escândalos homossexuais (e não conseguiu). Enfim, todos aplaudiram.

O que isso tem a ver com o Brasil? Essa é simples. Potencialize esse efeito publicitário nas massas sem instrução do Brasil, e você terá o cenário perfeito para a dissimulação e geração de QUALQUER opinião pública, fazendo esta parecer óbvia e ululante desde sua concepção. E se alguém tem o cérebro e o coração do povo, de fato tem o ouro do país em mãos. São nossos verdadeiros reis, profissionais em reescrever a história da nação da forma como bem desejar. O cara que manipula o povo é bom, mas aqui no Brasil é chutar cachorro morto!

Quer ver? Pense em Fernando Collor (cuja entrada E SAÍDA do poder se deram por pura influência da Globo mídia sobre qualquer marcha pró-impeachment), FHC (visto com bons olhos até seu sucessor ter mais carisma e ele se tornar o mais novo FDP maconheiro nacional), e agora, Antonio Palocci (ninguém conseguiu provar nada dele – aliás, fosse provar fraude por fraude de todos, não sobrava alma viva no Planalto). Sim, amigo: até o que você NÃO gosta também é ditado por pessoas atrás dos holofotes, gente que você nunca viu o rosto mas que sabe o que você pensa, sonha, respira. Colocam na sua roda de amigos (ou no seu elevador) o assunto que quiserem, da forma que quiserem, e fazem você acreditar que foi VOCÊ que elaborou sua opinião sozinho. Eles: os donos da nação.

Uma prévia observação? Não é destas linhas que sairá uma crítica explícita aos publicitários, tenho vários amigos no ramo e, se tudo isso acontece, é apenas por competência deste profissional. Da mesma forma, não estou defendendo causa alguma, político algum, mandato algum, partido algum (ok, talvez apenas o fato de querer comer a Sandy, o que não é deveras novidade pra nenhum marmanjo geneticamente macho). Peço ao leitor que, se ainda estiver por aqui, e se ainda não estiver convencido do que disse acima, dê uma olhada aí abaixo e acredite: existem apenas dois seres humanos retratados nas imagens.

Acredita agora que, as vezes, um produto precisa de um tapinha para ser vendido?

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Comentários em: "Eles: os reis do Brasil" (1)

  1. Renan (Shin) disse:

    Muito bom texto [s]Flanders[/s] Rafael.

    Infelizmente essa capacidade de influenciar opiniões nem sempre é feita com boas intenções e pode se tornar uma arma perigosa. Quanto tempo não perdemos discutindo a bolinha de papel do Serra, o passado “terrorista” da Dilma, enquanto os problemas de verdade eram deixados de lado?

    A mídia dita os assuntos do momento, e é desanimador pensar que nossos principais veículos de informações são movidos pelo que dá mais audiência e pelos interesses próprios, em vez do que é mais importante para o povo. A imprensa consegue esconder problemas grandes e enaltecer os pequenos com uma facilidade que me espanta.

    Sem querer puxar o foco pra política, mas lendo esse texto lembrei de uma frase do Antônio Brito: “O jornalista deve ser o sujeito que duvida. Infelizmente no Brasil nós temos um número elevadíssimo de jornalistas e jornais movidos a certezas.”

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