Crônicas de um país sem sobrenome

Ligue a TV. Neste momento está lá um jornalista, de alguma emissora, repetindo as mesmas coisas ininteligíveis ditas no dia anterior, e no anterior, e no anterior. William Bonner diz: crise. Fátima Bernardes diz: crise. Boris Casoy (aquele dos lixeiros, lembra?) diz: crise. William Waack mais a noite diz: crise.

Daí, após você ver um monte de números que te levam a pensar no fim dos tempos, aparece a Dilma dizendo pra ficarmos tranquilos. O que se segue é a mesma Dilma, do alto de seus vestidos de avó, riscando do mapa um ministro, dois ministros, três ministros, quatro ministros; e William Bonner diz: crise. Fátima Bernardes diz: crise. Boris Casoy (é, ele) diz: crise. Afinal, temos ou não temos motivos pra sairmos às ruas queimando cuecas? Estamos ou não estamos em crise? E que crise é essa?

Inauguramos aqui mais um post diretamente do SAC BdQ?, com o intuito de esclarecer as DUAS crises que vemos todos os dias na TV, com uma linguagem mais simplificada e, eu prometo, sem gráficos! Esse é o “12 perguntas para entender” de hoje, terceiro de nossa promissora série (relembre os anteriores: o blog da Bethânia e os novos estados brasileiros), caro leitor, seja bem vindo! Quer que eu comece com qual crise?

1 – Ah, sei lá, fala ae da crise econômica que é o que sempre mostra primeiro na TV… pode ser?

Claro que pode amiguinho! Tudo isso “começou” com a recuada da nota dos Estados “Os Caras” Unidos no que diz respeito ao poder de pagamento de sua dívida externa, que foi de AAA para AA+. Essa nota, dada pela agência Standars & Poor`s que estuda a economia mundial, tem a ver com o potencial que cada país tem em dar o calote na sua dívida externa com os outros, ou seja, quanto mais baixa for essa nota, menos confiável esse país é para novos investimentos estrangeiros. Isso causou grande desconforto entre toda e qualquer nação que tenha relações econômicas com os agora Estados Fudidos, e as bolsas de valores ao redor do globo entram em alvoroço instantâneo, com perdas percentuais que extrapolam os 5% (no mundo econômico, uma voadora de dois pés no peito e botas de aço), desvalorizações recordes do dólar ao redor do globo, assim por diante.

Complicou? Não entendeu o que isso significa na prática? Imagine que o mundo capitalista é uma grande sala de aula, dessas que aparecem em filmes de adolescentes norte-americanos, e que os Estados “Os Caras” Unidos é aquela aluna hiper-mega-master gostosa, inteligente, de seios fartos como sua popularidade, que domina a sala com um simples levantar de sua micro-saia azul de cheerleader e tem um telefone no quarto com capa rosa de pelúcia. Belo dia, essa menina que sempre tirava as notas mais estratosféricas da sala tirou uma nota AA+, ao invés dos seus costumeiros AAA. A gravidade da coisa está no fato de essa nota ter sido dada para ela, a senhorita hiper-pop do colégio! Se para qualquer pobre mortal um AA+ é motivo para ficar assim,

Para ela, a garota mais popular da escola acostumada às maiores notas do universo, assim como para os alunos mais dependentes da sombra dela (no caso real, metade do planeta!), sobram motivos para um AA+ a deixarem assim:

É, a coisa no mundo econômico é bem mais complexa do que parece, mas deu pra entender um pouquinho, né?

2 – Mas AA+ é mesmo motivo de tanta balbúrdia?

A complexidade do meio econômico não para por aí amiguinho! Imagine que na mesma sala de aula colegial norte-americana tem um monte de nerds europeus bitolados que ninguém está nem aí pros seus AAA e que agora são as melhores notas do colégio. A coisa muda de cenário, não? Ao mesmo tempo, e pra piorar de vez, sempre tem aquelas três ou quatro revolucionárias orientais que querem acabar com a popularidade da superpeitos com discursos sobre inteligência, essência, essas coisas. Adivinhe só: as notas delas estão aumentando, e cada vez mais gente quer debandar pro movimento das essencialistas de olhos puxados, já que elas são mais legais… em todo filme colegial norte-americano a hiperpopular sempre acaba chorando com seus pompons, enquanto aquelas que tomavam porrada na bandeja da merenda sempre acabam com o gostoso da história: por que seria diferente?

3 – E o Brasil nesse filme, quem é?

É o cara que sempre passa a cola pra peituda quando ela precisa de um empurrãozinho nas notas. Sabe o carinha que não é bonito nem feio, não é nem inteligente nem burro? A Standars & Poor`s dá à economia brasileira a nota B- no índice de probabilidade de inadimplência, nota que, na escola, já me faria ter pulos enormes de alegria!

4 – Poxa, mas que nota baixa! Não somos a oitava economia mundial?

Sim, você está certo, mas isso não garante que o Brasil tenha uma nota equiparada aos países europeus e aos chineses, visto que esse índice é elaborado baseando-se e diversos fatores, não só ao PIB, PNB, per capita e bla bla bla… entre eles, por exemplo, entram aí coisas como gastos excessivos em obras estruturais (famoso superfaturamento, sabe?), corrupção (é, isso mesmo), coisas que, embora você possa apontar como subjetivas e difíceis de serem calculadas e mensuradas, e eu concordo com você, é fato que existem. Ou você ainda duvida?

5 – E por que a Dilma vive dizendo que estamos protegidos da tal da crise? Isso é verdade?

Não é bem assim. Existem motivos para se acreditar que o Brasil passará com menos efeitos negativos da crise que os Estados Fudidos, por exemplo, mas isso não significa que estaremos completamente imunes às quedas das bolsas de valores, por exemplo. Veja: temos como motivos de tranquilidade o fato de a economia brasileira estar bastante aquecida com os investimentos privados atuais em território brasileiro, especialmente no ramo da construção civil (Copa e Olimpíadas? Exato!) e de petróleo, com o nosso cofrinho pré-sal novinho em folha ali, esperando pra ser quebrado no momento certo.

Além disso, o poder público investe (ou diz isso) nas obras do tal PAC – “Programa de Aceleração do Crescimento” (também conhecido por OSPA – “Outra Sigla que Político Adora”), que dentre outras coisas prevê aumento e melhoria dos meios de transporte, maior oferta de educação e saúde, enfim, pequenas coisas que empresas de capital estrangeiro adoram quando se trata de procurar um novo canteiro de obras com mão de obra barata e que não fica doente.

Faz sentido? Claro que faz, se você esquecer de um pequeno detalhe: qual é mesmo o país com o maior número de multinacionais instaladas em território brasileiro? E qual o país cujas empresas estão sofrendo o maior baque econômico nas bolsas de valores mundiais? Ah tá…

6 – Mas então… fudeu?

Ainda é bem cedo pra responder essa pergunta, afinal, temos dois lados da moeda “competindo” no cenário econômico brasileiro. Tudo depende de uma conjuntura bastante grande de fatores, políticas econômicas e, principalmente, poder de ação rápida em caso de bombas atômicas caírem sobre nossas cabeças (metáfora gente, por favor!). Esperamos que dê certo. Até lá, pergunta aí pra ela que ela responde melhor que eu:

7 – Políticas? Isso tem a ver com a crise política?

A outra crise a que me referi no começo do post não tem muita coisa a ver com tudo o que disse até agora. Essa é a outra crise! Uns chamam de Crise de Brasília, Faxina dos Ministérios, Crise da Família, enfim, a coisa tem diversos nomes, mas na prática é algo bem fácil de ser explicada.

Tudo começou com aquela história bastante conhecida, de que quando pegam um neguinho pra Cristo ele realmente está em maus lençóis. Começo do ano, Antonio Palocci foi destituído de seu cargo de ministro chefe da Casa Civil por ostentar uma renda declarada que, segundo os matemáticos, seria impossível de ser obtida somente com atividades lícitas. Daí já viu, né? Amigo pessoal da presidente envolvido em escândalos é prato cheio pra quem continua magoado com as eleições (normalmente, muito bem acompanhado por eles, os publicitários). Enfim, agita daqui e agita dali, resolveu-se investigar cada um dos ministérios, e o que se viu entre favores ilícitos entre empresas e ministros, declarações suspeitas de renda e favorecimentos de empresas privadas em licitações públicas, foi a troca de chefia em nada menos que CINCO ministérios!

8 – O que são ministérios?

Os ministérios são cada um daqueles prédios sem graça que ficam aos lados daquela praça gigante em Brasília. Cada um deles, chefiados por seus respectivos ministros, é responsável pela formulação de leis, propostas e regulação de um determinado tema relevante para o cotidiano político, econômico e social do Brasil. São exemplos: Ministério da Fazenda (não cuida de assuntos agrários, e o ministro não é o Britto Jr!), Transportes, Turismo, Agricultura, Integração, Cidades, Cultura, assim por diante.

9 – Espera aí… cultura?

Uma imagem vale mais que mil palavras, né? Aí vai:

10 – Eu não lembro de ter votado nesses caras…

E não votou mesmo! Os ministros, por serem entendidos como cargos de extrema confiança do poder executivo, são nomeados e destituídos diretamente pelo poder executivo. Em outras palavras: foi a Dilma quem escolheu, e é a Dilma quem tira. Repare a imagem abaixo: não é linda?

Que família feliz não tem ovelhas negras afinal?

Quer dizer, você tem a ver um pouquinho com isso, a partir do momento em que a imagem do ministério para a população é importante na hora que o presidente escolhe seus homens de confiança. É necessário passar um pouco de credibilidade para você, caro leitor, e por isso, vez em quando dá-se um ou outro tiro na água, como nomear o Gilberto Gil para o Ministério da… deixa pra lá, o Pelé para a pasta dos esportes (ele é O CARA jogando futebol, mas isso não quer dizer que seja um bom político), assim por diante.

11 – E a imagem da Dilma no final disso tudo?

Bom, por enquanto, ao que eu vejo, Dona Roussef anda fazendo seu dever de casa, expulsando os membros da família que se mostram maçãs podres com seu sempre enorme discurso de “eu juro que não sabia”. Até que se prove o contrário, não mesmo. Mas sempre tem aqueles carinhas especializados em achar pelo em ovos, daqueles que reviram lixão de Brasília atrás de um papel higiênico borrado pela Dilma (acredite, os caras fazem DNA e tudo!), e enfiam Dona Roussef no rolo, xingam muito no twitter, chamam a Veja e fazem alarde… como essa história vai acabar? Chama a véia da foto lá em cima!

12 – Onde eu fico nessa história?

Na sua casa, no conforto de seu lar, lendo os incríveis textos do BdQ?, que tal? Ou, melhor ainda, se manifestando contra toda essa sujeira que, dentre outras coisas, faz a Standard & Poor`s dar uma nota B- ao Brasil…

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