Crônicas de um país sem sobrenome

Aos heróis, um brinde

Houve, um dia, o sonho de uma nação independente chamada Brasil, mal e porcamente idealizado por uns, caçoado por outros e desprezado por todos. Quem arrisca dizer qual o legado dessa história tão louca que insistiram em chamar Brasil? O que afinal aconteceu com essa estranha alucinação coletiva, criou vida própria e todo mundo acreditou? Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade no ideário popular? Onde está a verdade numa nação de pessoas que preferem ser “Nação Gaúcha”, “Nação Corinthiana” ou “Nação Luan Santana”?

Cabe a mim fazer uma breve lista de agradecimentos a alguns heróis que dão um toque suave de lucidez meio a tanta balbúrdia. Antes que a carne esfrie e a cerveja esquente:

Obrigado Jaqueline Roriz, por mostrar ao povo quem é que de fato manda em Brasília e, ao mesmo tempo, quem são os todos os “nossos” representantes.

Obrigado Ricardo Teixeira, por fazer o povo ver corrupção, falcatrua e falta de caráter no único meio em que o brasileiro entende, se importa, se manifesta.

Obrigado Paulo Maluf, por ridicularizar-nos sempre que mostra sua cara na TV, em ternos muito bem cortados e, sabe-se lá Deus como, sem nenhuma bola de aço nos pés.

Obrigado Joseph Blatter, por dar-nos o prazer de torrarmos rios de dinheiro que poderiam ser mais bem utilizados em muita coisa, apenas para fazer o povo (achar que vai) sorrir com isso.

Obrigado Jair Bolsonaro, por mostrar com sua figura sempre tão emblemática que igualdade de direitos e celebração da diversidade no Brasil são apenas discursos.

Obrigado Wellington dos Santos, por mostrar com sua vida e com a de 12 crianças inocentes no Realengo que o povo brasileiro ainda tem a habilidade de se comover.

Obrigado Dom Pedro I, por ter (ou não) gritado alguma coisa doida na beirada de um riozinho e, por isso, fazer a nação se orgulhar de, ao menos, ter um churrasco regado à cerveja e um som estranho de banda militar ao longe, em outro canto da cidade, em plena quarta feira.

Bons sonhos, nação brasileira. Se beber, não dirija!

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