Crônicas de um país sem sobrenome

14 de novembro de 2010. Surgia, nesse mundo obscuro da internet, um blog esquisito, com uma proposta diferente, cheio de bundas no layout e alguns marmanjos se achando os maiores “experts de qualquer coisa”, dando pitacos aleatórios sobre assuntos diferentes relacionados ao Brasil. Com a permissão dos camaradas Ícaro Pupo (grande parceiro de textos e de aulas, autor de excelentes textos publicados aqui) e Ricardo Lourenço (amigo querido, convidado a participar disso tudo e que – entendemos, caro Ricardo, rotina nunca é fácil pra ninguém – ainda não pôde contribuir conosco), começo aqui em nome de nós três uma análise do que foi feito ao longo deste tempo. Vossas bênçãos Ícaro, Ricardo e leitores: lá vou eu.

Você leu certo, esse bolo é mesmo do Eduardo: achei essa figura na net e não entendo de Photoshop... algum problema?

Um ano se passou, e para nós, blogueiros autores das crônicas aqui presentes, tornou-se um requinte digitar palavras desencadeadas em raciocínios e reflexões. Eu, ao menos, digo com toda a ênfase, agora apenas em meu nome: tenho prazer em estar aqui. É claro, adoraria poder estar aqui mais vezes, compartilhando meu ponto de vista (oh, meu ego que julga minhas opiniões como importantes para alguém) com quem quer que seja, mas a correria do dia-a-dia – sou brasileiro, portanto, mato um leão por dia, lembra? – não me permite sequer estar antenado em absolutamente tudo o que acontece nessa minha amada nação, quanto mais escrever textos longos e devidamente aprofundados sobre cada uma dessas coisas. Confesso, achei que seria mais fácil, que teria mais tempo, que trabalharia mais, contribuiria mais aos leitores deste espaço, que produziria coisas mais complexas, de maior profundidade, de opiniões mais fechadas e direcionadas, enfim…

E falando neles, os leitores deste espaço, algumas curiosidades bastante inusitadas podem ser apontadas, ao analisar as ferramentas de estatísticas do site (obrigado, WordPress): os dias de mais acesso são os dias em que colocamos postagens novas, graças às redes sociais em que divulgamos, com nossos perfis pessoais, que tem coisa nova por aqui no BdQ?. O que me leva a crer, obviamente, que:

  • Sim, nossos maiores leitores são nossos amigos pessoais, e em alguns momentos, nos ajudam com a divulgação em seus perfis. Muitíssimo obrigado, de verdade!
  • Sim, nossos leitores entram, saciam-se com o cheiro da tinta fresca da última postagem, e somem daqui. É sério MESMO que tudo o que existe aqui já foi lido, digerido, fagocitado, refletido, questionado?

Um ano se passou desde que este modesto espaço foi ao ar (eu sei, eu sei, é quase isso: este blogueiro estará um tanto ocupado no próximo final de semana, e portanto, rezemos para que a lenda do “dar parabéns antes da hora dá azar” seja apenas isso: uma lenda), com uma bonita dramatização do que nos propomos a fazer, e com a sua primeira crônica, homônima ao título do blog no geral, até hoje a preferida deste que vos escreve. Ao mesmo tempo que comemoro esta data, pelo prazer que me é proporcionado ao bater estas teclas expressando um raciocínio, trago também certo pesar pelo que pude constatar ao longo deste tempo: não conseguimos realizar plenamente nossa proposta.

Alguns números que mostram isso:

  • 1 ano de trabalho – tá bom, tá bom, quase um ano… seu chato!
  • 32 textos publicados
  • 2.105 acessos à páginas, postagens, enfim, qualquer conteúdo deste site (7 de novembro, duas da manhã)
  • 14 comentários dos leitores

Entendeu isso? Apenas 14 comentários! Não quero ser uma máquina de popularidade, caro leitor, até porque entendo que os dois mil e sei lá quantos acessos é um número ainda bastante baixo para um site no ar há uma translação (quase) completa da Terra. Antes que me interprete mal, apenas quero explicar que isso a meu ver tem alguns significados, e dentre os possíveis:

  • Nossos textos são tão bem escritos, mas tão bem escritos, e com pontos de vista tão bem argumentados, que não suscitam sequer discussão relevante;
  • Nossos textos são totalmente superficiais, e assim não provocam a reação desejada no leitor que por aqui passa;
  • Nossos leitores leem, compreendem a idéia, e sim, refletem, mas preferem guardar pra si suas opiniões sobre os assuntos aqui abordados;
  • Nossos leitores / amigos pessoais passam por aqui por simples camaradagem, na esperança de achar, finalmente, algo de relativa qualidade, já que o site é apenas uma merda de uma utopia de alguém que quer transformar o mundo com textos baratos e não profissionais.

Nenhuma das explicações acima me agrada, como você bem pode imaginar. Pensei em esclarecer esse grande mistério que rodeia este espaço com uma enquete, ou pedindo que vocês, leitores, se manifestem nos comentários, mas sinceramente, seria tanto narcisista quanto enfadonho, portanto, ignore sua vontade de comentar sobre isso. Algum dia descobriremos, por nossas próprias pernas, qual o problema da proposta.

Se é que o problema está no site, caro leitor: no fim (e isso não deixa de ser irônico afinal), o BdQ? mostra o Brasil da forma como ele é, e não poderia deixar de ser diferente. Para explicar o que quero aqui dizer, lembro de uns dados que tive acesso alguns meses atrás – todos baseados em pesquisa IBOPE, Datafolha e todas essas tranqueiras Brasil afora, além de dados que eu ouvi falar, acreditei e reproduzi aqui – sobre o perfil do brasileiro no mundo virtual. Veja só:

  • O brasileiro é o cara que, disparadamente, passa mais tempo online no mundo, superando a marca de duas horas diárias na internet
  • O Brasil é o país que mais tem usuários do Orkut (tanto que a administração mundial do site, ainda muito popular, é agora da Google Brasil)
  • O Brasil é, de longe, o país que mais cresce em número de usuários do Facebook e Twitter
  • O brasileiro é o cara que menos produz conteúdo novo na internet, como blogs, vlogs e sites diversos com o domínio .br, se comparado com qualquer outro país de demografia semelhante

Este site, afinal, é a antítese brasileira por si mesma: um ano atrás, propusemo-nos a criar informação que mostrasse reflexões sobre a realidade de nosso país a um povo que, ao que os dados acima mostram, faz-se completamente desacostumado com exatamente isso: a reflexão, a argumentação, o entendimento de sua realidade, suas ironias, seus sarcasmos, suas contradições. Como poderia, portanto, dar certo? Como três blogueiros acharam que mudariam o mundo em que vivem, usando-se da linguagem que é a mais desconhecida de sua gente?

Se você acompanha meus textos por aqui, caro leitor, já deve imaginar como eu encerrarei essa volta que dei em auto-homenagem ao nosso blog: “lá vem ele querendo enfiar a educação goela abaixo de quem está lendo”… errou, amigo, ao menos dessa vez. Hoje, eu proponho outra coisa. Hoje, eu quero que você apenas pense (se quiser, compartilhe conosco ali embaixo): como você gasta suas mais de duas horas na internet? Você produz conhecimento, abre sua mente para novas informações, foge dos veículos tradicionais e cada vez mais tendenciosos de distribuição de informação? Quanto de seu tempo online é gasto nas redes sociais, e quanto tempo é gasto para leituras mais densas como esta, neste blog ou em outro canto qualquer da internet? Ou, mais específico ainda, encerro perguntando-te: o que você faz na internet que traz qualquer tipo de crescimento em sua vida?

Chega, escrevi demais. Infelizmente é um hábito meu, e isso certamente faz alguns leitores pararem antes da hora em minhas reflexões (eu seria um desses, não fosse o dono da cria, admito). Escrever é o que eu sei fazer melhor, muito embora possa não ser o mais didático, ou divertido, ou de rápida digestão pra quem está do outro lado da tela. Parabéns pra você, que chegou aqui sem ter fechado a janela antes!

Ah, e se em algum momento este site lhe trouxe alguma reflexão, ficamos felizes por isso, era exatamente essa a nossa idéia. Se não mudamos o mundo com esse blog, ao menos mudemos algumas cabeças: por enquanto me é suficiente. Parabéns pra gente, autores do BdQ?, por esse primeiro ano de vida, até então de números bastante rasos mas ainda sem quaisquer indícios de uma futura possível desistência. Força!

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PS: sobre aquela parte toda do perfil do brasileiro online, não posso jamais deixar de agradecer meu grande irmão Rafael Zanini, que foi quem me apresentou essa realidade na primeira vez, uns meses atrás, numa ocasião bastante especial. Um abraço gigante pra ele, talvez só equiparado ao tamanho do coração desse menino! Valeu mesmo brother!

PS(2): falando em produção de conteúdo independente, e que foge dos veículos tradicionais de produção de informação, aproveito para divulgar um trabalho que venho acompanhando quase que desde o começo e que admiro cada vez mais: o Coletivo Garagem Aberta, de Jundiaí. Trata-se de um canal de divulgação do trabalho de artistas da cidade e da região, e que vem destacando um número cada vez maior de pessoas e trabalhos de grande qualidade, só não destacados em rede nacional por falta de QI (é, isso é Brasil minha gente!). Clica aí na figura abaixo, vale a pena, de verdade!

Clique na figura

 PS(3): “Propaganda gratuita, Rafael?” – Qual o problema? É você que paga pra eu atualizar esse blog? Se merece, e é o caso, eu faço MESMO!

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