Crônicas de um país sem sobrenome

Muito além da pele

Preferimos peitos ou bundas grandes? Não sei, mas um dos dois tem que ser grande, se não, qual a graça? Nos despimos na praia, no carnaval. Homens e mulheres sem quaisquer vergonhas. Sambamos, jogamos bola – nosso corpo é anatomicamente feito pra isso, nossa resistência física é incrível. Damos risada da própria tristeza. Somos simpáticos – nem sempre, mas quase sempre. Não temos vergonha da nossa sexualidade – nós gostamos, muito, de sexo. Fazemos macumba. Chegamos atrasados.

Amamos feriados, especialmente os prolongados. Fazemos nossa “fezinha” na acumulada. Esbanjamos malícia, no dia a dia com o nosso “jeitinho” questionável mas que dá sempre certo, ou na arte da sedução (e quem lá de fora já provou um brasileiro afirma: somos realmente bons nisso).

Pergunte a qualquer pessoa que já tenha ido à Alemanha, ou à França: como são os alemães e franceses? E os ingleses com seus chás da tarde e sua irritante pontualidade? Nosso cadinho cultural diz o seguinte, por fim: somos menos europeus do que achamos. E isso vai além da cor da pele ou dos olhos ou do cabelo. Na verdade, assumindo-se os estereótipos secularmente implantados em nossa forma de pensar as diferentes raças humanas, somos europeus quando o assunto é trabalho, mas completamente negros com qualquer outra coisa mais legal que trabalho.

Sim, claro. Eu louvo toda e qualquer medida para combate ao racismo, eu aplaudo qualquer atitude pró-igualdade de raças. Apenas levanto a bandeira que, na ponta do lápis, a negritude do negro já está incutida em nosso povo há muito mais tempo que a ideia do racismo. E isso é ótimo! Pergunte ao mesmo cara que foi à Alemanha ou à França ou à Inglaterra, se algum desses povos são tão legais como o nosso.

Entendo que estamos de fato um passo a frente da questão da igualdade entre raças: as raças, aqui, já são mais iguais do que parecem! Que o diga o pai e a mãe que matricularam sua filhinha de peitão e bundão no ballet, e que até agora não entenderam porque a menina não deu-se bem nos treinos…

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PS: eu conhecia o vídeo colocado aí no meio há tempos, como uma comparação entre europeus e italianos (é esse aqui, ó…). Ao procurar algum que comparasse europeus e brasileiros, dei de cara com o mesmo vídeo, mas “traduzido” para “brasileiro”. Dá na mesma, na verdade: se a idéia é nos comparar com os europeus, fica tudo perfeito! Bata imaginar a cena da cafeteria acontecendo, por exemplo, no Brás ou em qualquer outro bairro de sotaque paulistano que tá tudo certo, rs….

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