Crônicas de um país sem sobrenome

Autor: Thiago Pimenta*

Antes de qualquer coisa, que fique registrado que este é um desabafo de alguém com vivência diária dos meandros desses programas e que este alguém considera não só o governo, mas a população como um todo, responsável pela falácia que é o Brasil.

Quem nunca se perguntou: para onde vão os impostos pagos anualmente ao governo? Claro, deixemos de lado a corrupção que assola a politicagem brasileira e falemos do que o Governo orgulhosamente nos apresenta. Bolsa Família, Brasil Carinhoso e outros programas assistencialistas que são amplamente divulgados e formam a base eleitoral do governo nos últimos anos. Fácil ver, sempre tem um artista ou outro na televisão apontando o bem que esses programas fazem. Programa “Brasil Sem Miséria”, o nome é elegante, quase me faz chorar, mas deveria ser alterado para “Brasil Que Sustenta a Miséria”. Estupefato? Vamos lá, vou explicar…

Para quem não sabe, esses programas não têm um período estabelecido de permanência. Basta dizer (isso mesmo dizer, declarar, fingir que) que não tem grana todo mês e a família continua em um programa desse tipo. Não está vinculado a qualquer programa de oferta de emprego, portanto,
ninguém precisa procurar emprego. O Bolsa Família, carro chefe desses programas, ainda tem alguma coisa de oferta de curso profissionalizante que raramente é oferecido e a população não faz com medo de perder a boquinha: sim, as pessoas acham que se o governo souber que elas têm uma profissão e que podem trabalhar, perderão o beneficio. E sim, as pessoas estão erradas: elas podem fazer os cursos, adquirir uma profissão e, ainda assim, continuar no programa sem procurar nenhum emprego. Lindo não?

Outro detalhe importante: para uma família de 4 pessoas com 1 salário mínimo de renda mensal e tendo de pagar aluguel, água, luz, alimentação e outros gastos necessários à sobrevivência diária (e concordemos aqui, essa família está numa situação difícil) nada terá de beneficio. Isso mesmo, querido leitor, se alguém na família trabalha, pode esquecer.

Assim, precisamos avaliar: o quanto esses programas são úteis para “erradicação da miséria e da pobreza” ou o quanto eles estão sustentando a miséria no Brasil? Que “justiça social” (cobertura de direitos básicos do ser humano, é como as assistentes sociais definem) é essa que privilegia a vadiagem e relega o trabalhador?

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* – Thiago Pimenta tem 27 anos, é geógrafo formado pela Unicamp e trabalha com o atendimento do Cadastro Único Federal há 3 anos. Diariamente lida com as mentiras que o povo conta – “desculpem o jargão, não resisti” – população e governo – “qualquer das instâncias”.

→ As opiniões aqui mostradas são de inteira responsabilidade do autor do texto em questão, e não necessariamente coadunam com a opinião dos autores do BdQ sobre o tema proposto.

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Comentários em: "Assistencialismo: cobertura ou injustiça social?" (1)

  1. Fala Tio Ted! Sempre fui a favor dos programas sociais, mas é bom ter uma opinião de quem lida com isso. Acho que num primeiro momento o programa atendeu bem às necessidades de uma determinada população, agora já acho que seria melhor reformular pois o momento econômico é outro. Os programas tem que continuar sim, mas sob outras regras de gestão para que estas anomalias, como você mencionou, sejam minimizadas. Talvez priorizar quem tenha uma determinada faixa de renda, tornar o benefício temporário…

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