Crônicas de um país sem sobrenome

Arquivo para setembro, 2012

É uma cilada Bino!

Meus prezados. Antes de tudo, peço licença para meus irmãos de Blog, Rafael e Ícaro, pois venho aqui exprimir um sentimento pessoal, que pode não ser compartilhado por eles, mas que pessoalmente acho que é legítmo.

Sou bancário e fiz somente um dia de greve nesse ano. Olhando hoje, talvez nem tivesse feito o primeiro dia.

Após pouco mais de uma semana, se encerra a greve dos bancários, com resultado de 7,5% de aumento em salário, sendo que a proposta inicial da minha instituição era de 6%. Históricos 25% de ganho, o que diriam os matemáticos de plantão. Com isso o sindicato prova numericamente a eficácia de sua luta no combate à opressão dos banqueiros.

Chega de Truques Sindicato!

Infelizmente esses 25% (1,5% a mais que a proposta inicial) para um escriturário em nível A1 de carreira, piso inicial da categoria portanto, representarão liquidamente pouco mais de R$21, em um salário líquido atual de R$1422. Muito pouco para uma pessoa recèm empossada em uma cidade com mais de 150.000 habitante, sem bens materiais, e que pretende se manter unica e exclusivamente com esse salário. Se é estudante e tem de viajar diariamente 120km até a faculdade, fecha zerado, se não negativamente.

Me enquadro nesse último caso, e há um bom tempo faço, diariamente, cerca de uma hora extra, que ao final de um mês trabalhado me acrescenta R$ 200 líquidos no salário.

A greve é tranquila (apesar do medo constante, por diversos motivos) até o momento da negociação final do acordo, onde anualmente, o sindicato sucessivamente têm aceito a “imposição” (?) de uma cláusula onde todos os funcionários que estiveram em greve se comprometem a pagar a mesma com horas extras sem remuneração, normalmente até o meio de dezembro, com compensação direta do tempo parado para estas horas extras.

Confuso? Bom, pensemos no atual caso, considerando que um funcionário entrou em greve na terça-feira passada e volta amanhã a trabalhar.

Ficou parado efetivamente 7 dias, e sendo um escriturário de 6h, 42h a pagar de greve. Normalmente se paga 50 minutos diários (os gerentes não deixam completar 1 hora completa, pois aí seria necessário dar 1h de almoço, ao invés dos terríveis 15 minutos aos quais os trabalhadores de 6 h tem direito),  resultando em pouco mais de 50 dias de cumprimento de horas extras sem remuneração. Distribuídos em 4,5 semanas que um mês possui em média, e 5 dias de trabalho semanais, são quase dois meses e meio se passando para esse pagamento.

Convertendo esses 50 dias de horas extras sem remuneração, em remuneração paga ao banco, afinal, esse perdeu dinheiro (?) no período, chegamos a uma devolução em torno de R$444,44 a serem pagos ao banco, ou a serem deixados de ganhar, pois o funcionário pode se negar a fazer horas extras, e tentar a sorte de não ter as horas não pagas descontadas de seu salário base.

Tudo isso para ganhar históricos R$21 de aumento mensal.

Reza a lenda que essas verdinhas dão um barato!

Para pagar isso, são necessários 21 meses de históricos R$21 mensais aumentados. Isso se você não emendar em outra greve, a Setembrina, anual amante dos Sindicatos, e aumentar a sua dívida com a banca.

Para os que pensam que considerei somente o dinheiro na minha decisão, há outros tópicos que podem ser citados (não entro em detalhes, isso não é um dossiê):

  • Assédio Moral (de alguns superiores quando em greve, de alguns colegas quando não estando em greve)
  • Falta de discussão das 7 e 8 horas (há lei específica que determina que trabalhadores do segmento financeiro não podem trabalhar mais que 6 horas diárias, e há processos questionando o aumento regularizado de jornada)
  • Falta de plano de carreira bem definido, em especial aos critérios de nomeação em promoção para bancos públicos
  • Efetivação de uma política de saúde pública para o setor, com ampliação do horário de almoço para os funcionários, além de controles para LER\DORT, Diabetes e Hipertensão

Infelizmente, fiz 1 dia de greve, e por conta disso, terei que pagar R$53 de volta ao banco, sendo que portanto somente sentirei os efeitos desse histórico ganho somente após 3 meses de trabalho. Ainda bem que percebi isso em um dia, senão vai que a Bina, a velha Setembrina, me pega novamente!

12 perguntas para entender o julgamento do mensalão

Boa tarde, queridos leitores. Ando notando que, ultimamente, um assunto tem sido evitado por muitos em mesas e rodas de boteco: o julgamento do mensalão. Tem se falado mais do Palmeiras que do mensalão. Tem se falado mais da Nina e da Carminha que do mensalão. Num papo de elevador gigante, tem se falado mais até do terrível tempo seco que do mensalão. E o motivo disso é menos simples do que parece: embora é fato que os assuntos citados são bastante interessantes de serem discutidos, falar do mensalão é chato, MUITO chato!

Agora interessou? rsrs

E é chato justamente porque ninguém costuma entender uma só palavra do que vem sendo dito por aí. Neste mês de setembro, caro leitor, você com certeza já reparou naquelas intermináveis notícias do William Bonner sobre o julgamento do mensalão, cheia de nomes e termos esquisitos. Confesse: você entendeu tudo? Eu não. Mas o que acontece é que este é sem dúvida um dos momentos mais importantes da história nacional, e é por isso que, a partir de agora, o BdQ reativa sua já famosíssima coluna “12 perguntas para entender” e tenta, finalmente, explicar o julgamento do mensalão de uma forma mais simples e compreensível para você que, assim como eu, não manja nada de termos políticos.

Relembre abaixo as edições anteriores do “12 perguntas para entender”

Prontos? Te peço: tente ler até o final, que a coisa é importante! Desejo boa sorte, a mim e a você. Respirem fundo e aqui vamos nós!

1 – O que é o mensalão?

Começamos pela pergunta mais básica, e que já trava mais de 90% dos brasileiros.

Como vocês sabem (sabem?), o poder funciona da seguinte forma: existe o legislativo, que é formado por deputados e senadores que formulam as leis e idéias de gestão de dinheiro e do território e que precisam do apoio de “50% + um” colegas da casa para que seu projeto chegue até o executivo, onde aí sim o executivo passa o lápis e a coisa tá valendo. Até aqui, tudo certo?

O esquema do mensalão partiu de legisladores ligados à alta cúpula do PT, para que se compre o apoio de outros vários deputados, e assim os projetos criados pelas pessoas envolvidas no mensalão estariam sempre seguras de que seus projetos seriam sempre aprovados pelo legislativo. O termo “mensalão” foi alcunhado por um dos envolvidos, indicando essa espécie de “mensalidade” que cada deputado “comprado” recebia para assinar positivamente cada um dos projetos elaborados pelos deputados “compradores” de apoio: ao que foi apurado até então, cada deputado recebia R$30 mil por mês para continuar apoiando sempre as medidas propostas pela base aliada ao governo (leia-se PT e coligações).

Por outro viés, a complicada rede do mensalão propunha-se também a saldar as dívidas estratosféricas do PT com a campanha eleitoral de 2002, o que envolve diretamente diversas agências de publicidade na jogada (o que facilita bastante o esquema, como veremos adiante).

Depois dessa brevíssima explicação, repare: a coisa fica pior. Faça agora, caro leitor, a pergunta mais óbvia após esta reflexão:

2 – De onde vinha o dinheiro do mensalão?

O dinheiro usado para o pagamento do mensalão e para a quitação das dívidas das agências de publicidade veio diretamente de agências financeiras públicas, como o Banco Rural, Banco do Brasil, Fundo Visanet, cada um voltado para o fomento de atividades relacionadas para o desenvolvimento social e a manutenção dos meios de funcionamento da sociedade, como empresas de transporte, comunicação, assim por diante. Em outras palavras, era dinheiro que deveria servir para beneficiar a população. Mas isso, aparentemente, você já sabia…

3 – Como a casa começou a cair?

Era 14 de maio de 2005. A Revista Veja, ela mesma, divulgou um vídeo, desses feitos em câmera escondida, do pagamento de propina para dois funcionários dos Correios (manutenção dos meios de funcionamento da sociedade, lembra?), que em conversa apontam o então deputado Roberto Jefferson, do PTB, como diretamente envolvido num suposto esquema de desvio de dinheiro de contratos dos Correios, até então por motivos desconhecidos. A história do mensalão começou a surgir assim, como “peixe pequeno”: instaurada a CPI dos Correios para entender o que acontecia.

Acontece que “o que acontecia” viria fatalmente procedida de outra pergunta: “por que acontecia”. E antes de qualquer investigação mais aprofundada, o próprio deputado Roberto Jefferson, prevendo a merda, deu entrevista exclusiva à Folha de SP denunciando todo o esquema de compra de apoio político pelo PT, com detalhes que, à época, mostraram um esquema absurdamente maior de corrupção na Câmara dos Deputados que a simples CPI dos Correios apontaria.

Naquelas: a jogada do deputado foi um belíssimo esquema de “parem de olhar pra mim, tem coisa muito pior por vir”. E tinha. Uma hora ou outra a CPI dos Correios encontraria os desvios e, entendendo uma CPI como uma coisa séria, investigaria os detalhes e acabaria por descobrir todo o gigantesco esquema montado. Roberto Jefferson tentou se tornar um falso paladino da justiça brasileira, o que lhe rendeu cassação imediata do mandato e de todos seus direitos políticos e, como vocês bem se recordam, um belo “acidente doméstico”: um armário caiu sobre seu olho esquerdo…

… um armário chamado “caveirinha”, “neblina”, “chico faca” ou algo assim.

4 – Mas espera aí… corrupção não é uma coisa nova no Brasil, por que afinal esse caso está dando tanta repercussão?

Pelo fato de que, nesse caso em específico, este é o maior esquema de falcatruas já registrado na história brasileira, com nada mais nada menos que TRINTA E NOVE réus, sem contar os que escaparam das investigações!

Sem contar os prejuízos para a população, que são absolutamente imensuráveis, acompanhe:

  • Prejuízos de ordem econômica: por alto, a conta do STF levantou R$ 120 milhões por ano em verba pública desviada, lavada e inserida nos pagamentos dos mensalistas e dívidas de campanha, nos 3 anos em que o sistema funcionou sem interrupções. Pareceu pouco? Veja o próximo tópico.
  • Prejuízos de ordem social: com o dinheiro desviado no esquema, seria possível construir mais de 30 hospitais de ponta no Brasil (um para cada capital pelo menos), ou mais de 20 novas universidades federais, ou outros tantos serviços públicos absolutamente necessários e, como sabemos, de enorme carência na população brasileira como um todo. Lembre-se: por ano! E ainda tem mais, acompanhe.
  • Prejuízos de ordem política: com o esquema de apoio político comprado, criou-se no legislativo nacional um jogo terrível em que as leis são aprovadas ou desaprovadas em votação, não mais de acordo com a relevância de cada projeto, mas agora de acordo com quem propunha cada projeto! Imagine você, caro leitor, quantas possíveis boas ações foram vetadas por simplesmente não constarem das propostas dos beneficiados, e quantas propostas ruins (dessas que a gente volta e meia vê, como votar o aumento do próprio salário por exemplo) foram automaticamente aprovadas com a obtenção forjada dos tais 50% mais um…
  • Prejuízos de ordem democrática: em outras palavras, caro amigo: nos anos em que todo esse esquema rolava impunemente, seu voto foi praticamente jogado no lixo, já que os projetos de seu candidato a deputado era automaticamente cancelado por voto vencido. Pessoas tornaram-se mais importantes ou menos poderosas no esquema, criou-se uma hierarquização absurda entre candidatos relevantes e irrelevantes nas tomadas de decisões, e isso nunca teve nada a ver com sua função de legislar o país. E tudo por baixo dos panos – isso se por ventura seu candidato não tornou-se ele mesmo um dos mensaleiros…

Viu? Além do montante absurdo que pôde ser mais ou menos contado como dinheiro evaporado de outros setores sociais, ainda conta todos os prejuízos levados que simplesmente caem no subjetivo campo das suposições, mas que nem por isso deixam de ser prejuízos. Caro, você ainda acha que este é só “mais um esquema”?

5 – Certo, e por que demorou tanto pro julgamento começar?

Brasil, né minha gente? É assim que funciona. Agora, você imagina o trabalho que deu pra apurar TODOS os dados de um esquema que de início começou com três, quatro pessoas, e quando menos se viu tinha tantos réus cometendo todos os crimes relatados…

Tenha uma ideia, caro leitor: o dossiê inicial tem algo em torno de 50 MIL páginas! E você aí, com todo esse trabalho pra escrever um tuíte de 140 caracteres…

6 – Como assim, “tantos crimes”???

Você tem razão ao imaginar que tudo pode ser enquadrado como “corrupção” e pronto. Acontece que, quando falamos em “juridiquês”, temos que definir certinho, passo a passo, cada um dos delitos cometidos.

Certamente você já ouviu sobre eles no Jornal Nacional, e não entendeu. São sete os crimes cometidos pelos envolvidos no mensalão, acompanhe:

  • Corrupção ativa: oferecer algo, não necessariamente físico como dinheiro, em troca de vantagens ilegais. O lance do “comprador”, saca?
  • Corrupção passiva: esse é o crime do “comprado”, aceitar esse “algo” em troca das vantagens ilegais. Especialmente sabendo que é ilegal.
  • Lavagem de dinheiro: ocultar ou dissimular a origem de bens ou dinheiro oriundo de crimes. Aquele lance do “magina, gente, eu consegui isso por herança do meu tio avô de Rondônia que faleceu”… tranquilo?
  • Evasão de dívidas: tirar dinheiro do país sem autorização. É muito mais difícil encontrar dinheiro sujo se ele não está depositado num banco no Brasil, simples assim.
  • Formação de quadrilha: associar-se com três ou mais pessoas para cometer atos sabidamente ilegais. Tipo, todo mundo: trinta e nove é maior que três, confere? rs
  • Gestão fraudulenta: esse é pra galera dos bancos que desviaram a grana. O nome já diz: é crime praticar fraude em qualquer lugar, especialmente quando falamos de instituições financeiras.
  • Peculato: apropriação de bens ou dinheiro público para fins não-públicos. Perceba a diferença: na corrupção passiva, o criminoso aceitou receber uma vantagem ilegal, que se torna peculato quando essa vantagem é calcável fisicamente, como dinheiro público, transformado ou não em um carro do ano, ou uma viagem…

7 – E os figurões da coisa toda, que eu sempre escuto o nome e não sei quem são?

Ok, são vários, mas cabe aqui um pequeno glossário nominal com os mais relevantes:

  • José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares: os nomes mais pistoludos do PT na época, respectivamente ministro da justiça (é, irônico), presidente do PT e tesoureiro do PT. É o chamado “núcleo político”, as cabeças de onde saíram a ideia toda.
  • Marcos Valério: o grande braço por detrás de todo o esquema. Esse cara era o que fazia toda a ponte entre quem se beneficiava e quem recebia o mensalão, tirando dinheiro dos bancos e dos contratos de fachada feitos por suas agências de publicidade (mestres em fazer o que bem entender, diga-se) e repassando aos “comprados” logo em seguida. Não por acaso, a movimentação toda foi carinhosamente batizada de “valerioduto”, outro termo que certamente você já ouviu…
  • Duda Mendonça: o marqueteiro oficial do PT (lembra dos “pagamentos de dívidas de campanha”, né?). Recebeu um belo montante do valerioduto, mais do que a campanha valia. O pobre coitado achou que era dinheiro “limpo”, mas sei lá, talvez tenha achado “chique” depositar tudo em paraísos fiscais – é, evasão de dívidas. Tá pegando o jeito, garoto!

O resto, caro amigo, é peixe pequeno. Por acaso, são os que estão sendo julgados agora: o processo está rolando do menor pro maior, portanto, emoções garantidas até o final, aguarde!

8 – E aqueles caras com capa do Batman que eu vejo direto, quem são?

Oh garoto desinformado, aquele é o tal do STF. Sigla de Supremo Tribunal Federal, comitê responsável por julgar a constitucionalidade de certos atos polêmicos (lembra disso?) e os réus dos processos mais importantes da história. Você já assistiu Law & Order ou coisa do tipo? Imagine aquilo como um super-mega-ultra-fodão tribunal, o mais importante da nação, formado apenas por juízes com mais experiência na carreira que a minha e a sua idade juntas, indicados diretamente pelo presidente da república e nada mais. Fora de zuera: teve gente ali que foi nomeado quando José Sarney ainda era presidente! Só aí já dá pra ter uma ideia do tamanho do processo: é a primeira vez na história do país que o STF julga, réu por réu, todos os envolvidos em um esquema de corrupção!

Vai por mim: até as duas tia tem um pau maior que o teu.

É uma dificuldade extra, eu sei, acompanhar o julgamento do mensalão com tantas características desconhecidas pelo público no geral, como os nomes bonitos desses caras – Rosa Weber (sente o drama: Rosa e Weber! Hugo Chavez teria orgasmos múltiplos em casar com essa mulher), Ricardo Lewandowski, Carmem Lúcia (de cantora de cabaré à pica das galáxias) – e as figuras, dentre elas a do maior responsável pelo julgamento, e que até então vem fazendo um excelente trabalho, o excelentíssimo Joaquim Barbosa – que chama a atenção por ter voz grave, ser negão e fazer ioga na cadeira o dia todo por suas dores nas costas.

9 – E o Lula nessa história?

Então… isso é um grande X na história do mensalão. Tentou-se, de verdade e com afinco, provar que o Lula sabia do esquema todo, muito embora ele rolasse no legislativo, ou seja, antes de qualquer coisa chegar no executivo. A ideia é bastante plausível, o Lula é a cara do PT e o Zé Dirceu e o Genoino são, além de amigos pessoais do presidente, ligados fortissimamente ao seu partido. Mas nada ficou comprovado, e o Lula nem entrou em audiência.

A você, leitor, apenas um cuidado: fique atentíssimo ao que a mídia diz. Não é novidade pra ninguém que essa suposta não provada ligação do Lula com o mensalão tenha rendido trocentas capas de revista ao longo de todos esses anos, prato cheio pra muito jornalista sensacionalista por aí.

E pra chargistas também, diga-se.

Mas a versão oficial, que embora não se saiba se é a correta mas é a que consta oficialmente nos autos (independente de te convencer disso), é que não, Lulinha não teve o dedinho ali – oh, piada infame…

10 – Como evitar que novos esquemas assim surjam?

Oh, meu pequeno idealista. Infelizmente você não evita esse tipo de coisa. Se pudesse evitar, você acha mesmo que alguém não teria feito algo antes? Paciência gafanhoto…

Mas nem tudo está perdido, assaz rapaz. Uma coisa que você pode fazer é – sim, lá vem o bordão – votar melhor! Você se lembra quem foi sua escolha nas urnas para deputado federal e estadual? Pois foram esses caras que você votou e não lembra que bolaram a coisa toda! Brasileiro tem a péssima mania de dar mais atenção para quem se escolhe no executivo e menos no legislativo, que é justamente a cabeça por trás da assinatura do presidente. Fica a dica pras próximas eleições, meu garoto: pesquise mais sobre os números maiores da urna eletrônica, eles são muito mais importantes do que o horário político faz parecer!

11 – Como vai acabar tudo isso?

Perdão, caro leitor, eu faltei nas aulas da faculdade sobre ocultismo e futurologia… mas posso dar alguns pitacos de como eu acho que vai acontecer, me permite?

Trata-se de uma situação muito ímpar na história nacional. A mídia tá matando de pau em cima, acompanhando cada frase esdrúxula dos advogados, cada trejeito do Joaquim Barbosa e sua ioga sentado. Dificilmente tudo acabará em pizza, com o país todo em cima, vendo, acompanhando notícia a notícia em todos os noticiários de todos os canais. A pressão social é imensa em cima desse processo, entende? É feio arquivar tudo e ir pro boteco…

E por sinal, você pode ajudar a garantir que o negócio tenha um desfecho feliz, como cada um dos envolvidos devidamente punidos das formas como o STF melhor julgar: se inteire sobre o assunto, pesquise, divulgue esse post caso ache que está didático o suficiente pra seus amigos compreenderem, e após entender tudinho, acompanhe o processo. Discuta no bar, discuta no ~fêice~, fale sobre isso! Enquanto o mensalão for um tabu em grego ortodoxo, muita coisa pode ser feita sem que ninguém saiba, sem que ninguém se interesse, e eu não tenho dúvidas quanto ao mal que isso pode causar na nação!

Mas não pra você, sábio leitor do BdQ! Se você chegou até aqui você já sabe. Ou eu acho que você já sabe…

12 – E se mesmo assim acabar em pizza?

Entendo sua relutância em pensar positivamente sobre o futuro do julgamento. É sempre assim que acontece, muito embora as evidências desse caso específico apontem que não. Bom, se acabar em pizza, me traz uma de calabresa que é a minha preferida, que eu volto a falar do Parmêra do meu pai, ou do tempo seco, ou da Carminha e da Nina, e que se exploda o Brasil. #prontofalei.

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PS: como você pode imaginar, eu bem penei pra fazer esse post, querido leitor, visto que eu também me perdi bastante até agora nesses termos todos e nomes daqui e dali pronunciados pelo William Bonner como se fossem absolutamente naturais aos meus ouvidos. Pois é, não eram, nunca foram…

Precisei pesquisar, muito, vários links. E me encantei com o especial do G1 sobre o esquema e o julgamento do mensalão: super didático, de fácil navegação, com esquemas que me deixaram babando no melhor estilo “algum dia o BdQ vai ter isso”… vale MUITO a pena, clique aqui pra ver, é sério!

Procure especialmente pelos infográficos animados com todo o organograma da coisa, nomes, montantes, essas coisas. Tá ali, facinho, no “entenda a denúncia”, viu? E vá também, sem falta, na sessão de frases do mensalão: até Cazuza já apareceu no STF, risadas garantidas, imperdível!

Não foi acidente. E não, não é tão simples…

A coisa, que parecia ser tanto quanto “fogo de palha”, ao que parece está – ainda bem – tomando grandes proporções. O movimento Não foi acidente ganha cada vez mais assinaturas, é cada vez mais falado, toma corpo, chega cada vez mais próximo da sua meta. Se antes era coisa de emissora média, de 4 ou 5 pontos no IBOPE (sempre o IBOPE), agora é a grandona que faz um especial de muitos minutos no principal programa dominical de reportagens da história da TV brasileira. Mas eu, em minha modesta opinião, vejo gato nesse angu, e talvez seja o caso de tirar a sombra do apelo sentimentalista e começar a conversar de verdade. Ou será que não? Caso você seja parte daquela pequena parcela da população não ligada à Globo no domingo a noite, recomendo: clique aqui e leia / assista a reportagem (o G1 não permite incorporação de videos em blogs, desculpem, eu tentei…)

Os dados mostrados pelo Fantástico são de fato alarmantes, e confesso, eu mesmo fui pego de surpresa. É de fato revoltante saber que um bêbado idiota provoca mortes por aí afora – 43 mil (!!!) só em 2010 – o processo demora anos e anos numa gaveta mofada, e ao fim o sujeito paga uma cesta básica com a sensação de dívida quitada com a justiça brasileira. E que em 2015, acidentes provocados por embriaguez será motivo de morte de mais brasileiros que outras formas mais, digamos, “tradicionais” de homicídio. Algo está errado, é fato, eu não questiono. Assim como, de forma alguma deixo de me solidarizar com as famílias que perderam entes queridos em atos bárbaros como os mostrados na reportagem em questão (já assistiu? Vai lá, é sério).

A história diz que, quando situações emergentes como essa são analisadas de forma emocional, as “soluções” tomadas nem sempre são as melhores e mais eficientes. É claro que o indivíduo que mata alguém no trânsito por dirigir embriagado é de fato um crápula criminoso que merece uma punição maior que a que leva hoje em dia. Mas o que há por trás disso tudo? Raciocine, caro leitor. Movimentos como o Não foi acidente provocam no brasileiro um pensamento que flui no seguinte sentido: a pessoa bebe, dirige e mata, e sabe que dirigir embriagado pode matar, portanto, é crime doloso. Até aí tudo certo, e a pergunta que o brasileiro faz a partir disso é:

“Por que alguém que bebe dirige?”

E a resposta comumente encontrada é:

“Porque é mau caráter, sem a menor noção de comportamento social aceitável, e portanto, é um criminoso”.

Será? Dá pra compreender quando uma pessoa que perde um ente querido nessas circunstâncias elabora tal raciocínio. Me desculpem as incontáveis vítimas e familiares, mas não me contento apenas com esse pensamento. Pensar assim é, ao mesmo tempo, não conclusivo e parcial. Não conclusivo pelo fato de que entendo que existem outros fatores aí nessa equação doida (explico abaixo). E parcial pois não me imagino um sujeito tendo a reflexão de “bebi, portanto matarei alguém” antes de pegar as chave do carro. Deveria? Creio que sim, mas quem tem?

Vamos começar pelo mais óbvio. Desmembrar-nos-ei a pergunta, só porque eu sou apaixonado por mesóclises malfeitas:

1 – Por que alguém bebe?

Fique tranquilo, caro leitor. Não esmiuçarei aqui todos os possíveis e prováveis motivos que fazem uma pessoa tomar uma cerveja, quanto mais “passar da conta” e perder a sobriedade. Entre fuga da realidade, afogar as mágoas de um dia ruim, ou simplesmente perder-se no embalo da euforia com os amigos, o fato é que, me perdoem os puritanos e os que opcionalmente nunca bebem nada – algum dia os entenderei, juro – a cerveja está indubitavelmente no ideário popular do brasileiro comum.

Os que me conhecem pessoalmente farão aqui uma reflexão, algo como “é óbvio que ele jamais falaria mal da cerveja”. Mas como a gente até já brincou por aqui, pareço não ser o único, e a mídia concorda comigo. O programa que esbraveja sobre o Não foi acidente é de uma emissora que, fatalmente, passa em seus comerciais diversas e diversas propagandas de cerveja, mostrando sempre uma mesa de bar de bundas samba e alegria. Conte, num único dia, quantas vezes essa cena se repete em todas as emissoras abertas nacionais: impossível. Teria aí, portanto o dedinho da multi-bilionária indústria brasileira do álcool? Prefiro nem comentar. Assim como, não comentarei sobre a óbvia e conveniente conivência do Estado e da mídia para que essa multi-bilionária indústria permaneça sendo vista (ops, comentei…).

Pra resumir, caro leitor: entende-se por “droga” tudo aquilo que, de uma forma ou de outra, altera algo no seu organismo. Entende-se por “droga recreativa” aquilo que de alguma forma altera seus sentidos, seja lá qual o motivo que te leva a isso. O álcool é, portanto, uma droga? Sim, e uma droga legal – portanto tributada de impostos – mas diferentemente de drogas ilegais altamente demonizadas em nossa sociedade, ou mesmo de outras drogas legalizadas como o cigarro, aparentemente seu uso é até apoiado, pela própria sociedade e por quem tem o papel de informar e formar opinião na sociedade. Ou alguém acha que aquela hiper-veloz tela azul do “aprecie com moderação”, única obrigação legal dos anunciantes de cerveja, realmente quebra todo o efeito das bundas e sorrisos em câmera lenta de segundos atrás?

2 – tá, mas se então não dá pra evitar o consumo de bebida alcoólica na sociedade, por que então esse cidadão dirige depois de beber?

Caríssimo: qual o horário de lotação dos bares da sua cidade? Pode ser diferente da noite? Não, amigo, isso não é um hábito meramente cultural: o brasileiro trabalha, e tem que trabalhar durante o dia! O horário da noite torna-se única opção para sua confraternização alcoólica, seja lá qual o motivo que leva o sujeito a beber, como vimos anteriormente. E daí vem a pergunta de um milhão de reais: a que horas o transporte público encerra suas atividades? Não tem ônibus de madrugada, né? Falta de segurança, dizem. Em outras palavras: o cara que bebe tem outra opção que não seja dirigir? O táxi é uma facada, ainda mais em bandeira noturna. O “motorista da rodada” também não funciona, visto que nem todos os parceiro de bar morar próximos e entre distâncias e preço da gasolina cada um se vira como pode. Conhecimento de causa: quem mora mais longe, ou vai de carro ou simplesmente não vai. Chateia um pouco, mas é assim: entre um risco aparentemente pequeno (notou o “aparentemente”, né?) e uma quase impossível carona amiga, a balança sempre indica que só haverá sucesso de se chegar em casa após o bar com seu próprio carro mesmo. E ponto final.

Acompanhou? Então observe novamente os apontamentos do parágrafo anterior. Excetuando-se o lucro do taxista (provavelmente um pai de família sem a menor obrigação de fazer caridade em serviço) e a impossibilidade de contar com a camaradagem dos amigos – ainda mais do único amigo sóbrio que já estará chateado com isso -, todas as demais questões mostram o que? Deficiências do Estado, ele mesmo, em segurança pública, transporte público em mais horários, e na tributação absurda do combustível. Isso sem contar a ridícula presença da força policial em fiscalização da tal Lei Seca, que ao que parece só não é facilmente driblada no Rio de Janeiro: nas raras vezes em que você dá de cara com uma blitz em sua cidade, é facílimo sabê-la antes e desviar o caminho. Ou mesmo parar nela e ser liberado em seguida, sem sequer soprar um bafômetro. Quem nunca?

E se não te convenci ainda sobre o papel do Estado nessa discussão toda, bora pensar em mais fatores. Lembram da insuportável campanha contra o cigarro de uns anos atrás? Como essa história toda acabou? Demonizaram os fumantes, retiraram toda a publicidade de cigarro de circulação, e enfiaram um imposto sobre o cigarro que desanima qualquer usuário dessa droga legal de continuar seu vício. Aparentemente deu certo: os números mostram que a porcentagem de brasileiros fumantes vem sendo consideravelmente reduzida com o tempo. É uma droga que faz mal e mata. Tal qual a cerveja! Alguém mexe com a carga tributária da cerveja? Quem arrisca mexer com o lucro de uma Ambev da vida?

Percebe, caro leitor, quantas alternativas relativamente viáveis podem ser tomadas pelo Estado para tentar reduzir esse caótico número apresentado inicialmente? Nada é feito. Nem mesmo algo sabidamente tão mais simples como uma mudança de lei para aumentar a pena de motoristas alcoolizados assassinos: é necessário que a iniciativa parta daqui, de baixo, da opinião popular, para que seja minimamente pensado sobre tais alterações. E é por isso que movimentos como o Não foi acidente, como dito anteriormente, é tomado por um emocionalismo (altamente justificável, é claro) que simplesmente não resolve a situação.

Finalizando, caro amigo, penso eu que sim, aumentar a pena de assassinos com álcool no tanque e na mente é algo absolutamente urgente e necessário, mas só isso não basta. Ninguém senta no banco do carro pensando em matar. Até que ponto o assassino “mau caráter sem a menor noção de comportamento social aceitável e portanto criminoso” também é fruto de uma série de fatores que levam o assassinato como consequência, não como causa? Que fique claro, o sujeito é absolutamente culpado por seus atos, mas muitos fatores escondidos não são sequer discutidos quando o assunto é “bebida e volante”…

Eu já assinei a petição do Não foi acidente. Vai resolver o problema da embriaguez ao volante? É claro que não. Mas por que não acreditar nisso como um primeiro passo de uma série de medidas necessárias para que esse horrível surto de violência no trânsito seja finalmente detido? Faça a sua parte também, caro amigo, conte com meu apoio: clique aqui, é bem rápido e fácil. Você precisará do código do seu título eleitoral, mas caso não saiba onde raios está seu documento (normal), tem como consultar lá mesmo no site e descobrir seu número numa boa.

A Rafael Baltresca, criador do Não foi acidente: minhas sinceras parabenizações pela iniciativa. A ele e a todas as vítimas e familiares de vítimas de motoristas embriagados no Brasil: peço de coração pelo seu perdão, caso julguem que vos agredi em algum momento desse texto. Acreditem, não foi de forma alguma minha intenção. E na esperança de dias melhores a vocês e ao Brasil, dedico-vos agora meu mais profundo respeito.

Então, vamos falar de coisa boa? – NÃO!

Uma volta em grande estilo? Menos, bem menos que isso. Eu diria que é apenas o retorno, e nem é pra falar de coisa boa (tipo iogurteira TopKitchen ou câmera 12 em 1 TecPhoto), mas de um assunto um tanto desconfortável aos trabalhadores do mundo (por favor, não uni-vos para derrotar a burguesia e formar um governo de proletário, essa relação de poder é muito século XIX).

Há poucos dias a anta, digo, mulher mais rica da Ásia, Gina Rinehart afirmou que o empreendimento mineratório na Austrália estava demasiado caro, pois os custos de produção (grifem: SALÁRIOS) estão muito altos pois houve um crescimento na produção do setor, no entanto a demanda chinesa, maior consumidora de minério, vem decrescendo. O raciocínio é simples: oferta maior que procura é igual a preços em queda.

Se vocês querem que a Gina vá embora…

Sabemos que o panorama para o Brasil (leia-se: Vale) não é tão tranquilo quanto se pensa, visto que temos a segunda maior mineradora do mundo, a Vale (Jura, Icaro?) e grande parte de nossa balança comercial positiva se deve à exportação de minério, afinal enquanto nos anos 1850 estávamos orgulhosos de plantar café para vender para o mundo, os EUA já produziam aço. Hoje avançamos, vendemos minério, commodities de soja, laranja, café… enquanto EUA produzem iPhones e todo o tipo de tecnologia que gera produtos com alto valor agregado. Poxa, to me sentindo tão em 1850, enfim…

Voltando à senhora da imagem, seria uma reclamação típica do meio empresarial reclamar dos altos custos e reivindicar ações políticas que viabilizem a manutenção da saúde econômica do setor. Ocorre que a nobre distinta é uma falastrona de bobagens e um tanto inconsequente em suas palavras. Disse que na África os custos com mão-de-obra seriam muito mais atrativos, portanto o governo deveria estabelecer metas de redução do salário mínimo, visto que o salário africano (cerca de R$4,00 por dia) era o mais justo do mundo.

Por favor, um minuto de silêncio pela falta de capacidade mental da caríssima Gina (não é a Indelicada, apesar de ser mais eficiente no propósito) em não compreender que para a boa manutenção do sistema capitalista são necessárias políticas menos danosas que redução de salários (redução de impostos, aumento de liquidez da economia, redução nos juros são bons exemplos de estimular o consumo. Aumento da carga tributária e aumento dos juros são ótimas medidas para reduzir o poder de consumo, assim, controlando a inflação). Gina não consegue compreender que o problema é setorial e não há uma crise inflacionária assolando a Austrália para que haja redução de liquidez da economia, isso porque, pasmem, os trabalhadores são consumidores, e há também o fato de que pessoas bem nutridas trabalham melhor (Capitão Óbvio tomou conta de mim hoje).

Enfim, acredito que seria melhor essa senhora aí relaxar em casa durante a tarde, assistir uma televisão e, quem sabe, comprar uma TopKitchen e uma câmera 12 em 1 TecPhoto. Acredito que faria melhor proveito desses itens do que de seu pobre cérebro.

O país independente: 190 anos depois do chilique mais famoso da história

“Independência ou morte”. Esse foi o grito que, como aprendi na escola, Dom Pedro I deu na subida da Serra do Mar, em uma de suas constantes viagens rumo às coxas da Marquesa de Santos. Ali nas margens do Rio Ipiranga, esse troço gerou até um hino uns anos depois.

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Isso foi (SE foi) num sete de setembro de duzentos e dez anos atrás. O cara queria mesmo causar impacto: escolheu um feriado pra dar o mais famoso grito da história nacional. Ninguém se pergunta quanta água rolou entre um berro boiola de um imperador embalado a vácuo no melhor estilo Freddie Mercury na beira de um córrego mixuruca encardido e cheio de esgoto e a independência do Brasil: o cara gritou, um país nasceu, e no melhor estilo Freddie for a day, até hoje neguinho se embala a vácuo em desfiles de sete de setembro que rendem churrascada e assaduras na bunda ao final do dia.

Noffa…

Cento e noventa anos depois do grito da independência: não, não somos nada independentes. Não dá pra dizer que um país é independente quando seu povo depende de bolsa família pra ter o mínimo de subsistência. Quando mais da metade de seu orçamento é pra amortizar dívida externa. Não dá pra dizer que um país é independente quando um ou dois indivíduos monopolizam a opinião pública e a trabalham da forma como melhor lhe convir. É sério que existem emissoras que adentram quarenta, cinquenta por cento dos lares brasileiros? Quando a política é um plano de carreira, não um trabalho social. Quando depende (e sim, depende) de medidas totalmente artificiais pra combater a desigualdade racial.

Não dá pra dizer que um país é independente quando precisa da aprovação de Deus e o mundo pra fazer seu manejo de áreas verdes. Porra, o Código Florestal é meu, se querem criticar, que sejam brasileiros a fazê-lo! Quando manifestantes em prol de seus direitos são tratados como vagabundos. Como assim? Não pode fazer greve? Que independência é essa em que eu tenho apenas que obedecer?

Não dá pra dizer que um país é independente quando o governo se banha em escândalos ininteligíveis ao cidadão brasileiro: a fase do escândalo já foi, ninguém mais entende uma só fala da jornalista engomadinha do Mensalão, e o gosto amargo vira gosto de… nada! Não dá pra ser independente quando a escola, o núcleo maior de formação do indivíduo, é tratado como um mero depósito de crianças enquanto os pais trabalham. E os professores, donos da tarefa mais primorosa do universo que é dar a independência de pensamento e crítica ao cidadão, são tratados como lixo, por quem o (mal) paga e por quem deveria sê-lo eternamente grato: os próprios alunos!

E se o Freddie Mercury / Marcos Pasquim mais conhecido da nação resolvesse voltar pra ver o espólio do seu chilique? Subentendendo a versão oficial que sempre nos fizeram engolir, de que Dom Pedro I era de fato um herói nacional nacionalista, possivelmente daria outro piti. Seu Brasil rescaldo daquele sirico-tico todo é um pisciano carente que quer ser independente, cheio dos escândalos de “me deixem, eu sou foda” sem ao menos perceber quanta gente o tem bonitinho comendo na palma da mão. Independente ou não, cazzo? O Brasil é emo, gente!

“Independência ou morte”? MORRI! Feliz sete de setembro, Brasil!

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