Crônicas de um país sem sobrenome

“Independência ou morte”. Esse foi o grito que, como aprendi na escola, Dom Pedro I deu na subida da Serra do Mar, em uma de suas constantes viagens rumo às coxas da Marquesa de Santos. Ali nas margens do Rio Ipiranga, esse troço gerou até um hino uns anos depois.

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Isso foi (SE foi) num sete de setembro de duzentos e dez anos atrás. O cara queria mesmo causar impacto: escolheu um feriado pra dar o mais famoso grito da história nacional. Ninguém se pergunta quanta água rolou entre um berro boiola de um imperador embalado a vácuo no melhor estilo Freddie Mercury na beira de um córrego mixuruca encardido e cheio de esgoto e a independência do Brasil: o cara gritou, um país nasceu, e no melhor estilo Freddie for a day, até hoje neguinho se embala a vácuo em desfiles de sete de setembro que rendem churrascada e assaduras na bunda ao final do dia.

Noffa…

Cento e noventa anos depois do grito da independência: não, não somos nada independentes. Não dá pra dizer que um país é independente quando seu povo depende de bolsa família pra ter o mínimo de subsistência. Quando mais da metade de seu orçamento é pra amortizar dívida externa. Não dá pra dizer que um país é independente quando um ou dois indivíduos monopolizam a opinião pública e a trabalham da forma como melhor lhe convir. É sério que existem emissoras que adentram quarenta, cinquenta por cento dos lares brasileiros? Quando a política é um plano de carreira, não um trabalho social. Quando depende (e sim, depende) de medidas totalmente artificiais pra combater a desigualdade racial.

Não dá pra dizer que um país é independente quando precisa da aprovação de Deus e o mundo pra fazer seu manejo de áreas verdes. Porra, o Código Florestal é meu, se querem criticar, que sejam brasileiros a fazê-lo! Quando manifestantes em prol de seus direitos são tratados como vagabundos. Como assim? Não pode fazer greve? Que independência é essa em que eu tenho apenas que obedecer?

Não dá pra dizer que um país é independente quando o governo se banha em escândalos ininteligíveis ao cidadão brasileiro: a fase do escândalo já foi, ninguém mais entende uma só fala da jornalista engomadinha do Mensalão, e o gosto amargo vira gosto de… nada! Não dá pra ser independente quando a escola, o núcleo maior de formação do indivíduo, é tratado como um mero depósito de crianças enquanto os pais trabalham. E os professores, donos da tarefa mais primorosa do universo que é dar a independência de pensamento e crítica ao cidadão, são tratados como lixo, por quem o (mal) paga e por quem deveria sê-lo eternamente grato: os próprios alunos!

E se o Freddie Mercury / Marcos Pasquim mais conhecido da nação resolvesse voltar pra ver o espólio do seu chilique? Subentendendo a versão oficial que sempre nos fizeram engolir, de que Dom Pedro I era de fato um herói nacional nacionalista, possivelmente daria outro piti. Seu Brasil rescaldo daquele sirico-tico todo é um pisciano carente que quer ser independente, cheio dos escândalos de “me deixem, eu sou foda” sem ao menos perceber quanta gente o tem bonitinho comendo na palma da mão. Independente ou não, cazzo? O Brasil é emo, gente!

“Independência ou morte”? MORRI! Feliz sete de setembro, Brasil!

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Comentários em: "O país independente: 190 anos depois do chilique mais famoso da história" (1)

  1. Ah, esqueci de falar no comentário anterior – o blog é ótimo, vou voltar sempre e passar para os alunos do cursinho que tenho dado aulas. Esta aqui achei uma das melhores postagens.

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