Crônicas de um país sem sobrenome

Uma volta em grande estilo? Menos, bem menos que isso. Eu diria que é apenas o retorno, e nem é pra falar de coisa boa (tipo iogurteira TopKitchen ou câmera 12 em 1 TecPhoto), mas de um assunto um tanto desconfortável aos trabalhadores do mundo (por favor, não uni-vos para derrotar a burguesia e formar um governo de proletário, essa relação de poder é muito século XIX).

Há poucos dias a anta, digo, mulher mais rica da Ásia, Gina Rinehart afirmou que o empreendimento mineratório na Austrália estava demasiado caro, pois os custos de produção (grifem: SALÁRIOS) estão muito altos pois houve um crescimento na produção do setor, no entanto a demanda chinesa, maior consumidora de minério, vem decrescendo. O raciocínio é simples: oferta maior que procura é igual a preços em queda.

Se vocês querem que a Gina vá embora…

Sabemos que o panorama para o Brasil (leia-se: Vale) não é tão tranquilo quanto se pensa, visto que temos a segunda maior mineradora do mundo, a Vale (Jura, Icaro?) e grande parte de nossa balança comercial positiva se deve à exportação de minério, afinal enquanto nos anos 1850 estávamos orgulhosos de plantar café para vender para o mundo, os EUA já produziam aço. Hoje avançamos, vendemos minério, commodities de soja, laranja, café… enquanto EUA produzem iPhones e todo o tipo de tecnologia que gera produtos com alto valor agregado. Poxa, to me sentindo tão em 1850, enfim…

Voltando à senhora da imagem, seria uma reclamação típica do meio empresarial reclamar dos altos custos e reivindicar ações políticas que viabilizem a manutenção da saúde econômica do setor. Ocorre que a nobre distinta é uma falastrona de bobagens e um tanto inconsequente em suas palavras. Disse que na África os custos com mão-de-obra seriam muito mais atrativos, portanto o governo deveria estabelecer metas de redução do salário mínimo, visto que o salário africano (cerca de R$4,00 por dia) era o mais justo do mundo.

Por favor, um minuto de silêncio pela falta de capacidade mental da caríssima Gina (não é a Indelicada, apesar de ser mais eficiente no propósito) em não compreender que para a boa manutenção do sistema capitalista são necessárias políticas menos danosas que redução de salários (redução de impostos, aumento de liquidez da economia, redução nos juros são bons exemplos de estimular o consumo. Aumento da carga tributária e aumento dos juros são ótimas medidas para reduzir o poder de consumo, assim, controlando a inflação). Gina não consegue compreender que o problema é setorial e não há uma crise inflacionária assolando a Austrália para que haja redução de liquidez da economia, isso porque, pasmem, os trabalhadores são consumidores, e há também o fato de que pessoas bem nutridas trabalham melhor (Capitão Óbvio tomou conta de mim hoje).

Enfim, acredito que seria melhor essa senhora aí relaxar em casa durante a tarde, assistir uma televisão e, quem sabe, comprar uma TopKitchen e uma câmera 12 em 1 TecPhoto. Acredito que faria melhor proveito desses itens do que de seu pobre cérebro.

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Comentários em: "Então, vamos falar de coisa boa? – NÃO!" (3)

  1. Rafael Galeoti disse:

    Sem contar um pequeníssimo detalhe, né? Quando a gente fala de atividade EXRATIVISTA, como no caso da mineração, acredito que ela é mais interessante onde TEM as minas, né? Ou ela realmente acha que, transferindo sua companhia pra África, o ferro bruto subterrâneo que ela tira na Austrália vai instantaneamente pra lá também? rs

  2. Ela quer levar os africanos para a Austrália, pelo que entendi.

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