Crônicas de um país sem sobrenome

Arquivo para novembro, 2012

Especial: 2 anos de BdQ – 12 posts antigos que precisariam ser repensados

14 de novembro de 2010 foi certamente uma data especial ao blogueiro que agora vos escreve, caro leitor. Foi o dia em que as idéias inebrias foram de fato colocadas em prática, e assim, junto com a primeira crônica, nasceu o BdQ, este site “nacionalista sensacionalista meio zoeira meio nerd e totalmente enchedor de saco” que insiste em permanecer no ar há exatos 2 anos, com direito a bolo enfeitado com a bandeira e vela de interrogação:

E que nosso amigo Wagner lá do Google Imagens nos empreste o bolo só um pouquinho, sim?

Muita coisa aconteceu nesses dois anos, caro leitor. O que mais aconteceu, de fato, foi a alternância entre gostar ou não gostar de tocar o site pra frente. Espero aqui, novamente, ter a aprovação dos meus amigos Ícaro e Ricardo, parceiros de site e da vida, pra falar sobre isso: é difícil ter sempre assunto. Aquela proposta inicial e pessoal de “ao menos um post por semana” parece complicada por demais. Sim, eu sei, tem sempre alguma coisa a ser discutida, mas não é fácil estar antenado a todo e qualquer assunto que envolva esse nosso paizinho verde e amarelo.

A gente tenta, as vezes acerta e as vezes erra, mas o fato é que alternam-se posts que ficam pra posteridade e posts que, eventualmente, perdem sentido. E isso acontece por vários motivos. Ou o assunto morreu (vasculhar os arquivos do BdQ é quase como andar num cemitério, amigo!), ou a crítica tomou outras proporções que os autores gostariam, ou simplesmente esperava-se um sucesso do post e de repente ele foi esquecido. C`est la vie, meu caro!

E é sobre esses posts que hoje, aniversário do BdQ, proponho o re-pensamento. Vamos ver do que estou falando?

12 – “Mais um feriado”

Quando foi escrito? 15 de novembro de 2010.

Qual era o mote? (com a palavra, o dono do post, o Ícaro) Criticar a alienação da população e do governo ante o real significado do feriado de aniversário da república.

Por que precisa ser repensado? Porque no momento que o texto foi escrito, a motivação era esse tal “inconformismo mainstream”, a noção de o país não avança e que o único objetivo era o foco na Copa do mundo. Hoje podemos avaliar que nem na Copa do mundo o Brasil se focou direito, mas há ações, ainda que tímidas, tendendo ao fortalecimento do Brasil como uma Economia relevante. Com uma dose extra de sensatez e experiência é possível repensar os valores e rever os discursos.

O que o Brasil precisa sanar / o que o Brasil precisa manter e aprimorar.

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11 – “Qual é, qual foi, por que que tu ta nessa?”

Quando foi escrito? 20 de novembro de 2010.

Qual era o mote? Criticar quem criticava o Tiririca, recordista absoluto de votos para deputado estadual nas eleições retrasadas, e quase caçado por suspeita de analfabetismo.

Por que precisa ser repensado? Porque no final das contas, pararam de encher o saco do palhaço deputado e ele assumiu seu cargo sem problemas. E até que o Tiririca anda fazendo seu trabalho decentemente, ao que parece: grata surpresa. Mesmo que ele esteja fazendo absolutamente nada lá dentro, não me parece muito diferente dos demais, salvo raras e honrosas exceções. Pelo menos, é o líder em presença na Câmara, mais que qualquer deputado colega diplomado, o que talvez queira dizer alguma coisa, né?

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10 – “O tapete de Niemeyer”

Quando foi escrito? 15 de dezembro de 2010.

Qual era o mote? Tentar comparar a beleza das obras desse grande arquiteto com a mania brasileira de mostrar ao mundo exterior um país mais belo do que de fato é.

Por que precisa ser repensado? Porque ninguém entendeu! Nessa data, o BdQ acabava de fazer apenas um mês, caro leitor. Imagine um cara empolgado por escrever coisas profundas, e fazer comparações doidas e muito cabeçudas sobre qualquer coisa… total inexperiência! Não que o texto tenha ficado ruim, ainda gosto de lê-lo, mas a você leitor a coisa ficou tão abstrata, que o máximo que nós conseguimos de feedback seu pra esse texto que julgava tão promissor foi um “ah tá, legal…”

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9 – “Guache Seco”

Quando foi escrito? 1º de fevereiro de 2011.

Qual era o mote? Mostrar que o brasileiro perdeu seu instinto de manifestação social.

Por que precisa ser repensado? Convenhamos: o que esperar de um texto que se chama “Guache Seco”? Eu tentei falar do guache na cara dos “caras pintadas” e tal, e que por não ser renovado acabou secando, blablabla… Não que o texto tenha ficado ruim, ainda gosto dele e o uso como link em vários textos posteriores, mas é o típico texto que mostra minha absurda dificuldade em escolher um nome legal, que por sinal, é o cartão de visitas do post! No caso, de um post bacana que, hoje em dia, só é lido por quem busca no Google algo como “como tirar guache seco da roupa”…

Possível futuro patrocinador do BdQ, só que não…

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8 – “12 perguntas para entender o blog da Bethânia”

Quando foi escrito? 21 de março de 2011.

Qual era o mote? Discutir a proposta do Ministério da Cultura em financiar a proposta de um blog estatal de poesias lidas pela Maria Bethânia.

Por que precisa ser repensado? Amigo leitor do BdQ de alguns meses pra cá, diga-me com sinceridade: você já ouviu falar do projeto do Blog da Bethânia? O que parecia que seria uma discussão gigante, com gente graúda falando montes a respeito o tempo todo, acabou em absolutamente nada, ninguém mais falou disso e o blog não saiu. A discussão durou até o ponto exato em que um certo blogueiro afobado perdeu uma tarde escrevendo um texto sobre isso, depois morreu. Simples assim.

Maria Bethânia. A primeira grande troll do BdQ.

Há um lado positivo, no entanto: o blog da Bethânia surgiu como mote pro surgimento do modelo “12 perguntas” do BdQ, que quase sempre proporciona hits de sucesso por aqui…

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7 – “Em Brasília, 19 horas”

Quando foi escrito? 28 de abril de 2011.

Qual era o mote? Refletir sobre a Voz do Brasil, programa de rádio do Governo Federal vinculado em todas as estações legais desde a época do Guaraná com rolha.

Por que precisa ser repensado? Mesma coisa de nossa posição 10, caro leitor. Falta de assunto que gerou um texto bonitinho, que tinha como adicional tentar incentivar o leitor a prestar atenção ao programa, nem que fosse um dia. E dois erros fundamentais foram cometidos: primeiro, o troço pode ser informativo mas é chato por bosta, e segundo (e mais importante, talvez): “senhor autor, em era de mp3 iPad iPod iPhone, originais e paraguaios, quem diabos ainda escuta rádio?”

Talvez, só a galera que conhece o uso disso. E olhe lá!

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6 – “O código, a floresta e a selva do planalto”

Quando foi escrito? 16 de maio de 2011.

Qual era o mote? Usar a então polêmica proposta do Novo Código Florestal Brasileiro pra refletir sobre o que é um projeto tipicamente nacional.

Por que precisa ser repensado? Porque aqui, além de ninguém ter entendido, ainda foi um grande tiro pela culatra! O Novo Código Florestal era, à época, o assunto que mais pipocava Brasil afora, na TV ou na internet, e obviamente minha sensatez me apontava como terminantemente contra a proposta que tramitava no Senado. Só que a anta do autor resolveu fazer uma discussão mais paralela, não sobre o Código em si mas sobre de onde vinha a necessidade de um Novo Código Florestal, e acabou soando que eu era… a favor do Novo Código Florestal Brasileiro!

Bem assim. Acontece sempre.

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5 – “Aos heróis, um brinde”

Quando foi escrito? 7 de setembro de 2011 (feriado, pois é…).

Qual era o mote? Qualquer coisa minimamente semelhante a um sentimento ufanista proveniente do feriado nacional mais importante do calendário.

Por que precisa ser repensado? Porque pegou mal pra caramba! Foi tentado trabalhar sobre a apatia do brasileiro com relação aos assuntos de seu país (o lance lá do “guache seco”, sacou?), e foram usadas frases como “obrigado Paulo Maluf” e “obrigado Wellington dos Santos” (assassino da Chacina da Escola do Realengo), coisas que arrepiaram até o leitor mais inimpressionável do blog! E assim, foram-se quaisquer esperanças deste blogueiro em voltar a fazer um texto sobre esse assunto. Só da merda (risos amarelos)!

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4 – “Crônica: amigos, cervejas e bundas ao léu”

Quando foi escrito? 15 de janeiro de 2012.

Qual era o mote? Mostrar traços de preconceito velado do brasileiro em um simples diálogo fictício de bar.

Por que precisa ser repensado? Porque foi, provavelmente, a primeira tentativa de formato novo de texto, e não teve o efeito esperado. Você sabe, caro leitor, escrever sempre da mesma forma, com os mesmos tipos de texto, é bastante cansativo, e assim, tentei fazer um diálogo. Só que quando você está destreinado com outras formas de texto, suas primeiras tentativas ficam sempre uma bela de uma merda, e assim o diálogo de Astolfo e Brás ficou, ao mesmo tempo, cansativo e poluído, e quem leu até o fim (poucos) não teve a menor chance de captar a mensagem que se tentou passar…

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3 – “Carta aberta aos membros da imprensa de massa”

Quando foi escrito? 15 de fevereiro de 2012.

Qual era o mote? Criticar, em forma de carta, a influência negativa da imprensa na sociedade brasileira.

Por que precisa ser repensado? Porque assim como no caso anterior, foi tentado aqui um formato novo que, novamente, não deu certo! Soma-se ao fato de que o texto ficou absurdamente longo, e sem nenhuma ilustração (sim, nós sabemos de sua preferência por textos ilustrados), ninguém leu. De novo, a intenção foi boa, mas a forma foi mal escolhida. Prometo não fazer mais, ok? De verdade!

Olhe fixamente e repita, caro autor: “não tentarás inventar moda, não…”

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2 – “Peripécias da Escola Mundial, versão sincera: refilmando Carrossel”

Quando foi escrito? 23 de maio de 2012.

Qual era o mote? Usar o sucesso da refilmagem da novela Carrossel para criticar humoristicamente o atual sistema educacional brasileiro.

Por que precisa ser repensado? Prestou atenção na palavra “humoristicamente”, caro leitor? Pois é, foi exatamente isso que destruiu esse texto, um dos mais trabalhosos até agora. Por algum motivo estranho, alheio ao meu conhecimento, o leitor crítico não gosta de humor. E assim, quem leu esta singela pérola entendeu tudo (repito: tu-do!), exceto a crítica aos maus-tratos com a educação nacional, exatamente o que eu havia tentado fazer!

… e eu peguei raiva do sorriso da Professora Helena. Ponto final.

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1 – “Especial de férias: 10 pontos turísticos que pediram pra dar errado”

Quando foi escrito? 12 de julho de 2012.

Qual era o mote? Humoristicamente (e você percebe que eu simplesmente não aprendo, não é?), criticar e incentivar o turismo no Brasil.

Por que precisa ser repensado? Sem sombra de dúvida, esse post foi o grande divisor de águas do BdQ, pro mal e pro bem. Esse post chegou num fórum de discussões da internet, caro leitor. E em questão de apenas um dia, os acessos ao BdQ aumentaram 40 vezes (sim, quatro mil porcento!), simplesmente porque as pessoas entravam no site com o intuito de criticar o texto em questão, chamar o autor de fresco, estúpido, dizendo que eu não merecia ser brasileiro, pedindo pra que eu me mudasse do Brasil, assim por diante. No tal fórum do facebook, houve até quem me ameaçasse caso eu desse as caras no Rio de Janeiro! Novamente, ninguém entendeu a crítica que, sim, era positiva, apenas mais humorada que o normal. Mas como há males que vem pra bem, a partir de então o BdQ conseguiu, no meio dessa generosa amostra grátis da “cultura do ódio”, alguns vários fãs que proliferaram a divulgação do blog, e a imagem abaixo mostra exatamente o orgulho dos autores em prosseguir o trabalho, olha só:

Acessos ao BdQ desde sua fundação, em novembro de 2010. Alavancados pelo ódio, mantidos pelo amor (óóóóóun….)

E foi assim, caro leitor, que nós, autores do blog, temos cada vez mais gosto em escrever pra você, leitor novo ou antigo do BdQ, que conhece ou não os autores pessoalmente (ah sim, um abraço enorme aos amigos, fonte inesgotável de divulgação do nosso trabalho!)

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A questão toda, caro amigo, é que aos poucos (beeem aos poucos), o objetivo inicial do BdQ parece estar chegando mais perto. É óbvio que ainda não somos blogueiros de sucesso e renome, é óbvio que cada um dos autores do BdQ continuam zés-ninguéns nessa terra sem lei que é a internet. Mas se no aniversário passado havíamos sido pessimistas com relação ao futuro, esse ano parece bem diferente. Continuaremos, na medida do possível, tentando levar a você, caro leitor, nossas melhores críticas, para que o raciocínio seja sempre tentado, compartilhado, incentivado. Essa é a ideia, não é?

E é claro, é óbvio: nada disso teria sido conseguido sem o seu apoio, caro leitor. Você que gosta de nossos textos, você que compartilha nas redes sociais, você que discute, você que insiste em frequentar esse canto chato da internet. É por você que a gente não joga tudo pro alto a cada erro que cometemos – e olha, a vontade as vezes ainda é grande, viu? A você, caro amigo, nosso muito obrigado!

A todos um abraço enorme! E que passemos ainda mais aniversários juntos! Saúde!

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PS: é sempre importante apoiar os amigos, especialmente aqueles que estão sempre aí nos apoiando, não é? Caro leitor: você que gosta de um texto bacana, dá uma olhada aí na coluna da direita do blog, no Blogroll aí do lado, gente muito bacana e textos muito bacanas!

Em especial, alguns destaques. Pra quem curte o mundo do automobilismo em geral, recomendo o Café & Auto, do meu irmão caçula, o Maycon Corte, textos ótimos e muito bem detalhados, pra antigos e novos fãs dos esportes de 4 rodas e motores. Tem também O Metafísico, do amigo André Celarino, blog de variedades excelente e super bem escrito, dos meus preferidos da net. E pra terminar, destaco também o Direito é legal, de uma blogueira que eu não conheço pessoalmente mas que sempre ajuda a divulgar o BdQ. Ah, todos eles tem página no facebook, pra que você fique sempre atento às novidades. Clica lá!

Um abraço a todos vocês, caros amigos! Obrigado pela força de sempre!

Matar, morrer ou contar até dez (?): notas sobre a nova onda de violência em SP

Daí nosso querido Ministério Público, a partir da onda de violência que anda assolando a Região Metropolitana de São Paulo, lança como solução parcial dos nossos problemas o Conte até dez. Chamaram o Anderson Silva, Junior Cigano e mais uns judocas medalhados pra dizer na telinha: “tá com raiva? Conte até dez”…

Não questiono, aqui, a intenção de nossos queridos atletas, cada vez mais reconhecidos nesse mundo bola-no-pé que é o Brasil. De fato, há tempos esses caras gostam de dizer na TV: a violência dos ringues é coisa de profissional, e de forma alguma deve ser imitada. Um pouco diferente do foco, talvez: estamos falando aqui de uma onda de assassinatos e crimes violentos, né? Até onde eu lembre, nunca vi um judoca ou lutador de MMA entrar no tatame / octógono com uma pistola automática. Me corrijam se isso já aconteceu? Obrigado!

Já me sinto em paz, só que não.

Confesso: eu não entendi, caro leitor. A RMSP vive hoje um dos maiores surtos de violência de sua história, com direito a operações especiais no melhor estilo Coronel Nascimento em favelas como Paraisópolis, com notícias tristes de um policial e mais de dez civis mortos a cada dia, e a solução está em “contar até dez”? Uma pequena PA de razão 1 e dez termos é a solução para o problemão que aparece por aí? O pessoal do escândalo já sabe disso? Se não, deveriam saber: como grandes comunicadores que são – e portanto com um papel social que, tudo indica, ainda não conhecem tão bem – devem mesmo espalhar essa grande notícia…

E pra não sobrar dúvidas de que estamos falando da mesma coisa, caro leitor, permita-me me certificar que você sabe contar até dez. Ajude a divulgar essa incrível, revolucionária e até então desconhecida fórmula mágica da paz: lanço aqui agora no BdQ a CPPP: “Campanha de Paz com Patati-Patatá”.

Saca só:

Sabe o pior, caro leitor? Raciocine: o que o MP quer dizer quando, para solucionar a onda de violência atual de SP, lança uma campanha como o Conte até dez? A mim (e novamente me corrijam se estiver errado), me parece um recado claro do MP para você: a responsabilidade é sua. Sim, sua! As pessoas morrem banalmente na RMSP porque você não se mantem calmo, percebe? No dia em que você, leitor do povo, mantiver a calma perante as coisas que vê no mundo, este será um lugar certamente mais tranquilo. E assim, o Anderson Silva precisa perder um tanto do seu tempo de preparação para a próxima luta para vir à TV e, sem cobrar cachê, dizer a você, povo: pare de se matar. Os acidentes de trânsito seguidos de morte não são culpa do estresse cotidiano das horas de rush nas ruas: é culpa sua, povo. Os poderes paralelos que surgem nos morros das periferias de SP, ou RJ, ou BH ou qualquer outra cidade violenta como se vê atualmente surgem por culpa sua, povo

O que falta ser falado aqui, talvez, é algo que lá no RJ se conhece há tempos: poderes paralelos e ilegítimos surgem onde o poder central estatal legítimo se omite do trabalho. Soma-se a isso uma polícia despreparada e – com razão – desrespeitada (que agora tem pistola empunhada até pra tomar um café na cantina em que você se encontra), que a exemplo de nossos amiguinhos cariocas se enfia em favela pra “encontrar coisas (ahan…) que não sabe onde estão (ahan…)”, e pronto: poderes paralelos mais organizados que o próprio Ministério Público e sua diárias e intermináveis reuniões para “discutir soluções para a onda de violência”. Tudo isso com direito à aparições nervosas de nosso querido governador de SP, de semblante militaresco e bordões batidos como “nós jamais nos renderemos a traficantes” e “a população pode ficar tranquila”.

Operação Saturação, outubro de 2012, Paraisópolis. Só faltou dizer quem ou o que está saturado…

Percebe, caro leitor? É a forma de gerência que está errada – e você já percebeu isso que eu sei, só quis mesmo me certificar que o recado estava claro. Mas não, não se desesperem, amigos. Não se tranque em casa por medo de ser baleado sem motivo. Afinal, a culpa é sua mesmo, lembra? Vamos então seguir pacientemente as recomendações, que uma hora tudo se resolve. Alô, Dona Maria! Fala pra aquele seu filho que tá quase se enfiando no tráfico por falta de perspectiva seguir o conselho, tá?

Mais de um ano na fila do desemprego? Conte até dez…

Falta creche pro seu filho? Conte até dez…

Ônibus cheio? Conte até dez…

Fila interminável no SUS pra uma inalação? Conte até dez…

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PS: só porque eu usei esse termo durante o texto (mentira, é na verdade pra descontaminar os ouvidos e não ter pesadelos com indiozinhos e jacarés), deu vontade de ouvir mais um clássico da infância / adolescência. Quem curte, aproveite aí! Quem não conhece, pode se surpreender com essa letra, bem como, com 95% das letras do rap nacional, sério!

Diz aí, Racionais:

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