Crônicas de um país sem sobrenome

Tra-di-ção, minha gente. Chegou janeiro, o jogo recomeça. Câmeras para todos os lados, tudo em HD, acompanhando passo a passo dos participantes, em eternos conflitos que só aumentam o ibope da coisa – e alguém, fatalmente, sempre sai lucrando com isso. Em síntese o jogo é o mesmo, mas algumas regras aqui e ali sempre mudam. Tudo para que, no fim, o jogo seja um sucesso. E parece, nunca é…

Começou ontem, oficialmente, a segunda edição do “joguinho de janeiro” preferido de São Paulo: a desintoxicação da Cracolândia. Bem vindos, caros amigos: esse é o Big Brother Bueiro, versão 2013!

E hoje é dia de festaaaaa!!!

E hoje é dia de festaaaaa!!!

Ver também:

A regrinha nova, que acabaram de inventar, é a de que o dependente químico largado em alguma viela ou sarjeta do centro de São Paulo não mais será internado e afastado das ruas apenas voluntariamente: agora, o Poder Público tem o poder da internação compulsória – se antes o participante só saía quando quisesse, agora ele está no constante paredão.

Fique abaixo com nossa apresentação dos nem um pouco novos brothers, e escolha a sua torcida! Aguardemos os próximos barracos, caro leitor: a única certeza desse empolgante jogo é que fortes emoções estão por vir!

#1 – Geraldinho

Quem é no programa: o Boninho da vida real. É o único que, aparentemente, tem o poder de mudar a regra do jogo, o que lhe dá um enorme poder de manipulação sobre os participantes da casa.

Ao que nos consta, todas as alterações de regra feitas pelo participante vieram com o intuito de melhorar a sua imagem, aos demais participantes e à audiência. E embora sempre existam aqueles que com razão desconfiam de suas atitudes no programa, suas táticas de convencimento da família brasileira estão sendo muito bem eficazes.

Chances de ganhar: bem altas. A exemplo da edição passada, se ele ameaçar perder, basta mudar a regra na próxima edição e pronto, certo?

#2 – Coxinha

Quem é no programa: não se engane pelo saboroso nome, caro leitor. Não há nada de gostoso aqui. Sabe aquele participante grosso, truculento, despreparado, que não terá controle de seus atos e certamente terá atitudes suspeitas ao longo de todo o programa? E que, láááá no fim, você se dá conta que na verdade o cara era apenas um fantoche na mão de outro brother, o verdadeiro cabeça? Pronto, é ele!

Só tem um problema. Veja abaixo…

Chances de ganhar: Coxinha não tem chances, infelizmente. E o motivo é bastante simples: além de ser o braço executor dos planos do principal articulador da casa, ele também é o laranja, o bode expiatório. Fatalmente, as atitudes do Coxinha serão questionadas, criticadas, até que sua reputação tenha caído vertiginosamente. Daí pra sair do jogo ganhando mal pra caramba sem ganhar nada…

#3 – Zé Luiz

Quem é no programa: o bordão maior desse aqui é: “o Brasil todo está vendo”. Em detalhes e HD, evidentemente. O problema é que o Brasil “está vendo” apenas o que este participante mostra, e é exatamente por isso que, junto com nosso primeiro competidor, Zé Luiz é um dos mais perigosos participantes. Entre discursos non-senses de fazer Pedro Bial ruborizar de vergonha, atitudes suspeitas que poucos tem coragem de apontar e apoios pra um ou outro competidor (nunca o certo), sobra a você, telespectador, a árdua tarefa de filtrar a verdade por trás dos olhos desse cara.

Em tempo: são vários os Zés Luizes, okay? Antes que digam “é perseguição, é perseguição”. Não acho que precisava ter comentado isso, mas vai que, né? Seus chatos…

Chances de ganhar: Sabe aquele competidor que chega longe, leva uma bolada, uma cacetada de prêmios, assim por diante? Talvez a única certeza desse programa é que Zé Luiz sempre ganha. E, claro, ele vai se empenhar muito nisso. Para o bem ou para o mal. Infelizmente.

#4 – Madre Tereza

Quem é no programa: vez em quando, Zé Luiz vai chegar e mostrar o duro cotidiano das Madres Terezas do programa. É aquele participante que até tem bom coração e quer ajudar, meter a cara na sujeira, de acordo com seus ideias e vivências do cotidiano e bla-bla-bla Whiskas Sachê. Mas, infelizmente, de tanto ser mal remunerado não ganhar nada em nenhuma porra de prova da comida, vai acabar desempenhando seu papel das formas mais “nas coxas” possíveis.

Detalhe: se você leu “nas coxas” e lembrou de nosso segundo brother,  faz todo o sentido! Esse BBB 2013 promete uma aproximação consolidada entre o Coxinha e nossa sister aqui.

Chances de ganhar: Ganhar? Ganhar o que? Só se for um salário digno. Aliás, se apenas puderem realizar seu trabalho sem muitas ameaças a prórpia segurança, já está bom demais…

#5 – Tiozinho Risca-Faca

Quem é no programa: sabe, caro leitor, a casa desse reality show não é um cenário montado: era antes a casa de alguém. Imagine a situação: alguém invade a sua casa, faz todo o barraco, você espera ganhar algo com isso, e o que já era ruim antes…

Chances de ganhar: baixas, bem baixas, e ainda por cima temporárias. A exemplo da edição anterior, os moradores e comerciantes da região da Cracolândia terão, nesse tempo de operação, um respiro. E, nesse momento, o Zé Luiz vai mostrar o Risca-Faca dizendo cosias do tipo “tínhamos medo, agora está tudo bem”, enfim. Ninguém garante, no entanto, que isso vai continuar depois da eliminação – provavelmente voluntaria – do brother Zé Luiz…

#6 – O Cara dos Cartazes

Quem é no programa: os subversivos do programa. Eles sempre aparecem, e você já os viu: uns caras com cartazes, contra as regras do programa e contra as atitudes dos brothers.

Chances de ganhar: ne-nhu-ma. No máximo meia dúzia de “curtir” no ~feice e o tio dizendo no churrasco da família: eu te vi na TV, menino. O Zé Luiz não perde seu tempo com isso. O Geraldinho não perde seu tempo com isso. E se encher muito o saco, ele ainda taca as artimanhas do brother Coxinha pra cima!

#7 – Zé Nóia

Quem é no programa: é, são eles, o The Walking Dead da vida real. Sempre com tarjas pretas, quadriculados e desfocados, evidentemente.

Chances de ganhar: segundo os especialistas, a chance do Zé Nóia ganhar com essa nova regra do Geraldinho é de apenas 2%. Dois-por-cen-to! E  apesar de tudo que o Coxinha faz, que o Zé Luiz mostra, que o Cara dos Cartazes grita, ainda se acredita que o programa vai dar certo!

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Não, nós não compraremos esse pay-per-view. O que não impede, claro, que não paguemos pra ver – em ambos os sentidos, caro leitor: também no literal. Quem, afinal, você acha que é o patrocinador desse reality?

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