Crônicas de um país sem sobrenome

A locomotiva da nação

Nota inicial: este texto, leitor, não foi escrito originalmente para o BdQ, mas por motivos de força maior, aqui ele veio parar. Você vai notar que este texto tem um estilo (e principalmente um tamanho) bem diferente do que se é habituado por aqui, e a explicação é: este texto originalmente foi escrito para uma coluna de jornal, com direito a normas editoriais e limite de caracteres, e por isso precisava ser mais direto e sucinto.

Por algum motivo alheio a meu conhecimento, a Coluna do CES, publicada no Jornal A Verdade Regional semanalmente, não saiu na sexta feira passada, dia 12. Acompanhe o calendário, amigo leitor: este texto, na verdade, foi escrito no dia 7, fazendo referência ao feriado do dia 9, e seria publicado no dia 12. Como não foi, publico-o aqui no dia 15. E é por isso que você vai notar coisas “estranhas”, como eu me referir ao nove de julho como “essa semana”. Tá aí a explicação.

Aproveito a ocasião para te pedir desculpas, caro leitor. Este projeto que abracei, da Coluna do CES, muito embora anda me sendo bastante prazeroso, anda ocupando boa parte do meu “espaço criativo”, e por isso, infelizmente, tive que deixar o BdQ um pouco às traças, e isso não é nada bom. Tenho saudades de poder escrever aqui mais vezes: é como se publicar esse texto aqui no blog fosse apenas um “plano B”. É chato isso! O BdQ é meu xodó antigo, poxa!

Prometo que ainda volto com força total, ok? As coisas precisam se acentar antes na vida, em vários planos. Conto com sua compreensão, sim? Se você não conhece a Coluna do CES, onde o autor aqui anda aparecendo com muito mais frequência, clique aqui para conferir as edições passadas, em um registro que ando fazendo em meu perfil do facebook (não é vaidade, apenas gosto de ter meus filhos devidamente documentados). Aproveite e clique aqui para conhecer o trabalho do CES, que anda me apaixonando gradativamente. Ah, e clique aqui para ler todo o Jornal A Verdade Regional, que sai todas as sextas em Várzea Paulista.

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Você, leitor, que tem em mãos hoje essa nova edição do JV, deve ter ficado feliz ao constatar que essa semana foi “mais curta”. Ao trabalhador é sempre um deleite – e nós, paulistas, sabemos como ninguém o que é trabalhar exaustivamente para poder gozar de um feriado como esse. Tem ainda o gostinho de “bem feito aos preguiçosos outros povos da nação” que sentimos, ao lembrar que o Nove de Julho é o feriado estadual da Revolução Constitucionalista de 1932, um dos episódios mais sangrentos e ufanistas de nosso Estado ao longo do tempo. Não faremos do texto de hoje uma aula de história, caro leitor: o espaço desta coluna seria insuficiente. Mas hoje aproveitamos a ocasião e sugerimos uma pauta: o que afinal é “ser paulista”?

Certamente o leitor já ouviu por aí certas frases de efeito quando o assunto é o papel de São Paulo para o resto do Brasil. “São Paulo é a locomotiva da nação”, uns dizem. “São Paulo seria melhor se fosse independente”, comum ouvir. É fato que os indicadores econômicos amplamente divulgados nas escolas e em quaisquer fontes oficiais mostram uma aglomeração de riqueza em São Paulo que, conclusões óbvias, dão a entender que teríamos no “País São Paulo” um núcleo de prosperidade econômica e social, fruto do “povo mais trabalhador da nação” como teimosamente gostamos de frisar.

No entanto, e isso também não é nenhuma novidade, boa parte do esforço, da mão de obra, das riquezas e recursos consumidos em São Paulo hoje e sempre é indiscutivelmente originado de outras unidades da federação brasileira. O leitor sabia, por exemplo, que a cidade com maior número de nordestinos no Brasil todo é a capital paulistana? Esses, ao que consta, dão duro todos os dias como qualquer “nativo”, e merecidamente também se deleitaram com o feriadinho. O mesmo se aplica aos “nossos” gaúchos, italianos, nortistas, latinos, mineiros, japoneses, cariocas. Faz sentido que, hoje, continuemos tratando com preconceito e deboche toda essa gente que ajudou e ainda ajuda a locomotiva a andar?

O que é ser paulista, caro leitor? É ser trabalhador, é lutar cada dia por seu sustento e fazer a locomotiva puxar o trem. Se nós paulistas somos locomotiva, porém, agradecemos hoje por termos em mãos todo esse carvão forasteiro, do resto do Brasil e do mundo, sem o qual jamais andaríamos.

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Comentários em: "A locomotiva da nação" (1)

  1. Nosso país! Eu faço parte deste país. Pobre da mais simples formação, famílias que não sabem, se expressar, de nenhuma forma. País do desperdício. Fome, miséria, que leva a revolta. Dificuldade de aprendizagem, por falta de alimentação em primeiro lugar. Bom, tudo isto já foi dito em tantos outros lugares. Sem palavras.

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