Crônicas de um país sem sobrenome

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O brasileiro só ama o brasileiro vencedor

Autor: Maycon Tavares*

Estava vendo nos últimos anos como o brasileiro só respeita aquele que ganha e esquece aquele que se esforça para ser o melhor. Muitas vezes o esforço de uma pessoa nem é reconhecido se ele não for campeão, se ele não tiver uma medalha olímpica ou se não for o melhor do mundo.

É, só que não.

É, só que não.

O brasileiro é muito tosco consigo mesmo, se olharmos para trás podemos perceber isso. Veja alguns fatos básicos que comprovam esta tese: começo falando de algo um tanto quanto besta, que é o futebol. A seleção tupiniquim, quando ganhou sua quinta copa do mundo em 2002, tornou-se a melhor seleção do mundo, imbatível. Hoje, para os brasileiros é considerada a pior. Ou seja, a obrigação do time e ganhar todas as copas do mundo e não dar chance nenhuma a nenhum outro pais que possa ser tão bom quanto o time verde e amarelo, o que nasce de criticas e pessoas querendo crucificar o time na internet e até nas discussões de uma mesa de bar são enormes – o mais interessante, todos são técnicos da seleção ou presidentes da CBF, todo mundo tem uma opção melhor que aquele que rege o time é capaz de escolher.

A seleção nunca pode jogar mal.

A seleção nunca pode jogar mal.

Mas não é só no futebol que vemos isso, olhemos outros esportes. O tênis, por exemplo, quando tínhamos o famoso Gustavo Kuerten, não existia outro melhor no mundo. Agora, nenhum tenista brasileiro é bom, apesar de termos tenistas entre os 30 melhores, entre 100 melhores, mas o brasileiro não liga se ele não for o melhor, se não estiver lá em cima em primeiro.

Mas de todos os exemplos, o que eu considero mais forte e mais tosco, é como o brasileiro gosta de criticar aqueles que estão na F1. Desde a morte de Ayrton Senna, não existiu alguém que pudesse fazer o mesmo que ele, mas não que tivéssemos brasileiros bons o suficiente, mas desde que me conheço por gente, ouço centenas de pessoas dizerem: “Desde que o Ayrton morreu, eu não assisto mais corridas de F1”. Legal, ninguém quer ver mortes no automobilismo, mas outros brasileiros já estavam na F1 e ainda hoje os mesmo existem.

A F1 não é um esporte onde qualquer um pode competir, mas sim quem é bom e tem dinheiro, quem tem coragem de encarar aqueles carros ultrarrápidos, e há brasileiros lá que tem essa coragem. Um grande nome que esteve por lá foi Rubens Barrichello, o famoso pé de chinelo: todos começaram a massacrar o piloto quando na Ferrari ele foi obrigado a ceder posição a seu companheiro de equipe, e por sempre chegar na segunda colocação, mas o que o publico não entende é que a função dele era essa. O fato de Barrichello não poder chegar a frente de seu companheiro o transformou-o no pior brasileiro que esteve na F1 e isso é mentira, teve piores, bem piores, mas o fato é que Barrichello é o mais famoso.

A mais famosa imagem do Rubinho é chorando, de vergonha desse povo que apenas o criticou durante todos os seus anos de F1

A mais famosa imagem do Rubinho é chorando, de vergonha desse povo que apenas o criticou durante todos os seus anos de F1

Claro que não temos apenas o Barrichello. Temos um caso mais recente na F1 que foi Felipe Massa, que perdeu o título mundial por apenas um ponto na temporada de 2008, e desde que sofreu um acidente em 2009 e depois em 2010 entregou a posição para Alonso vem sido duramente criticado por todos aqueles que um dia o amaram.

É Felipe, é difícil ouvir esse povo falando tanto, quando na verdade só assistem corridas uma vez por ano

É Felipe, é difícil ouvir esse povo falando tanto, quando na verdade só assistem corridas uma vez por ano

Diego Hypólito que o diga. Hoje, tiram sarro porque é um “cai cai”, nunca consegue acertar um pulo, mas todos esquecem o fato de ele ao menos conseguiu chegar lá nas olimpíadas. Não meus queridos irmãos de nação, não é tão fácil assim estar em um olimpíada, tudo depende de resultados, de posição em ranking mundial, de campeonatos que o esportista tem que vencer no período entre safra das olimpíadas, mas esse lado o brasileiro prefere não enxergar, e sim o fato de que ele caiu e não fez nada de importante. Ok, estar nas olimpíadas não vale de nada, foi apenas uma viagem e um pacote de turismo que ele ganhou…

Errar? Jamais, brasileiro bom nunca erra

Errar? Jamais, brasileiro bom nunca erra

É interessante ver como o brasileiro pode da noite para o dia deixar de amar um ídolo. Vou logo avisando: logo menos o vôlei brasileiro sofrerá o mesmo destino. Hoje que é visto como o melhor time do mundo, amanhã quando tiverem perdendo, ou não conseguindo o mesmo resultado, para nós será o pior time do mundo, e assim vai. Assim seguimos a “nação” brasileira que mostra ser tão compatriota quando o assunto é o esporte mundial, o apoio existe, mas apenas quando aquele prometido time, seleção, equipe, ou o esportista solo está lá ganhando. Se estiver perdendo, tanto faz como tanto fez.

Cuida do teu brioco seleção de Vôlei, vocês serão os próximos esquecidos

Cuida do teu brioco seleção de Vôlei, vocês serão os próximos esquecidos

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* – Maycon Tavares é brasileiro, analista de sistemas recém-formado, amante de boa música e de automobilismo em geral, não somente de F1. Por sua primeira paixão, é guitarrista da banda Aforce (página no facebook), e pela segunda, administra o espaço Café & Auto, com resultados, opiniões, informações e críticas sobre as diversas categorias do esporte.

→ As opiniões aqui mostradas são de inteira responsabilidade do autor do texto em questão, e não necessariamente coadunam com a opinião dos autores do BdQ sobre o tema proposto.

Assistencialismo: cobertura ou injustiça social?

Autor: Thiago Pimenta*

Antes de qualquer coisa, que fique registrado que este é um desabafo de alguém com vivência diária dos meandros desses programas e que este alguém considera não só o governo, mas a população como um todo, responsável pela falácia que é o Brasil.

Quem nunca se perguntou: para onde vão os impostos pagos anualmente ao governo? Claro, deixemos de lado a corrupção que assola a politicagem brasileira e falemos do que o Governo orgulhosamente nos apresenta. Bolsa Família, Brasil Carinhoso e outros programas assistencialistas que são amplamente divulgados e formam a base eleitoral do governo nos últimos anos. Fácil ver, sempre tem um artista ou outro na televisão apontando o bem que esses programas fazem. Programa “Brasil Sem Miséria”, o nome é elegante, quase me faz chorar, mas deveria ser alterado para “Brasil Que Sustenta a Miséria”. Estupefato? Vamos lá, vou explicar…

Para quem não sabe, esses programas não têm um período estabelecido de permanência. Basta dizer (isso mesmo dizer, declarar, fingir que) que não tem grana todo mês e a família continua em um programa desse tipo. Não está vinculado a qualquer programa de oferta de emprego, portanto,
ninguém precisa procurar emprego. O Bolsa Família, carro chefe desses programas, ainda tem alguma coisa de oferta de curso profissionalizante que raramente é oferecido e a população não faz com medo de perder a boquinha: sim, as pessoas acham que se o governo souber que elas têm uma profissão e que podem trabalhar, perderão o beneficio. E sim, as pessoas estão erradas: elas podem fazer os cursos, adquirir uma profissão e, ainda assim, continuar no programa sem procurar nenhum emprego. Lindo não?

Outro detalhe importante: para uma família de 4 pessoas com 1 salário mínimo de renda mensal e tendo de pagar aluguel, água, luz, alimentação e outros gastos necessários à sobrevivência diária (e concordemos aqui, essa família está numa situação difícil) nada terá de beneficio. Isso mesmo, querido leitor, se alguém na família trabalha, pode esquecer.

Assim, precisamos avaliar: o quanto esses programas são úteis para “erradicação da miséria e da pobreza” ou o quanto eles estão sustentando a miséria no Brasil? Que “justiça social” (cobertura de direitos básicos do ser humano, é como as assistentes sociais definem) é essa que privilegia a vadiagem e relega o trabalhador?

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* – Thiago Pimenta tem 27 anos, é geógrafo formado pela Unicamp e trabalha com o atendimento do Cadastro Único Federal há 3 anos. Diariamente lida com as mentiras que o povo conta – “desculpem o jargão, não resisti” – população e governo – “qualquer das instâncias”.

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